O debate entre candidatos à Presidência da República que seria realizado pela TV Globo na noite desta quinta-feira (1º) foi cancelado após a emissora receber duas notificações judiciais que alteraram regras previamente acordadas para o encontro.
As decisões foram assinadas pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Globo, as determinações interferiram diretamente nas regras definidas e assinadas anteriormente pelos partidos.
O cancelamento do último debate presidencial previsto antes do primeiro turno das Eleições 2026 também repercutiu na imprensa internacional.

Decisões judiciais mudaram regras do debate
A primeira decisão, da ministra Estela Aranha, atendeu a um pedido da coligação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O entendimento tornou inválido o trecho das regras que tratava da ausência de candidatos.
Pelas normas que haviam sido acordadas entre os partidos, caso um candidato não comparecesse, o púlpito reservado a ele permaneceria vazio, identificado com uma placa. Em uma das rodadas de tema livre, os candidatos presentes também poderiam formular, em até 30 segundos, a pergunta que fariam ao candidato ausente.
A decisão judicial proibiu a manutenção do púlpito com o nome de Lula e também a formulação de perguntas que seriam dirigidas ao candidato.
A segunda notificação recebida pela emissora foi referente a uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF. O despacho determinou a participação de Renan Santos, do Missão, no debate, após pedido apresentado pelo partido Solidariedade.
Pela legislação eleitoral, candidatos de partidos que possuem representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional devem ser obrigatoriamente convidados para debates em emissoras de rádio e televisão.
Com base nessa regra, a Globo havia convidado inicialmente Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT).
Uma decisão anterior, assinada na terça-feira (29) pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, já havia alterado o entendimento sobre a forma de contabilização da representação partidária no Congresso para participação em debates. Com isso, Romeu Zema (Novo) também passou a ter direito de participar do encontro.
A decisão de Gilmar Mendes acrescentou Renan Santos à lista, mesmo com o Missão tendo apenas um parlamentar no Congresso.
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Candidatos criticaram cancelamento

O cancelamento ocorreu depois que parte dos candidatos já estava nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) criticaram a suspensão do debate e as alterações determinadas pela Justiça.
Caiado classificou o cancelamento como um “atentado à democracia brasileira” e afirmou que as decisões provocaram descrédito nas instituições. Ele também responsabilizou Lula e Flávio Bolsonaro pelo desfecho.
Zema criticou especificamente a decisão que determinou a participação de Renan Santos. Segundo ele, a mudança das regras pouco antes do início do programa gerou insegurança. O candidato afirmou ainda que, em sua avaliação, havia “total insegurança política” e fez críticas à atuação da Justiça Eleitoral.
Cury também questionou as alterações nas regras e defendeu mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal. O candidato afirmou que, em sua avaliação, o tribunal passou a exercer protagonismo excessivo.
Já Renan Santos atribuiu o cancelamento à ausência de Lula e à desistência de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, sem a realização do encontro, os eleitores deixariam de ter acesso ao debate entre os candidatos.
Lula e Flávio Bolsonaro não participariam
Antes do cancelamento, Flávio Bolsonaro havia anunciado que não participaria do debate. O candidato atribuiu a decisão às determinações do TSE e classificou uma das mudanças como “censura”.
Lula também já havia informado que não compareceria ao encontro. O candidato tinha uma entrevista marcada para o mesmo horário no podcast Flow.
Com as ausências previstas e as decisões judiciais recebidas pouco antes da transmissão, a Globo decidiu cancelar o debate.




