10/jun/2019

Completando 100 jogos pelo Goiás, Michael ainda precisa provar alguma coisa?

Amado por muitos, criticado por outros, hora aplaudido, hora vaiado. Esse tem sido o roteiro da relação do atacante Michael com a torcida do Goiás. O garoto humilde que aos dezesseis anos saiu de Poxoréu, no interior do Mato Grosso, para correr atrás de um sonho, veio para Goiânia e teve que bater de porta em porta até conseguir uma oportunidade.

Depois de muitos nãos, o camisa 11 chegou a desistir, mas em março de 2016 o Goiânia Esporte Clube o contratou para a Segunda Divisão do Campeonato Goiano. Mas foi no Goianésia que Michael se destacou no Goianão de 2017 e chamou a atenção do Goiás. No ano seguinte, já com a camisa esmeraldina, o atacante começou a dar seus primeiros passos rumo a realização de um dos seus maiores desejos: jogar na Série A do Brasileirão.

Sua primeira temporada pelo clube foi discreta, o jogador foi reserva durante o segundo semestre de 2017 e marcou apenas um gol. Em 2018, ganhou espaço após a venda de Carlos Eduardo e foi um dos grandes nomes da campanha que levou o Goiás ao acesso à elite do futebol brasileiro. Segundo dados do Footstats,  foram 7 gols marcados (atrás apenas do centroavante Lucão), 9 assistências, 47 finalizações, 33 desarmes, 56 passes decisivos e 57 dribles completos em 33 jogos disputados pela Série B do ano passado.

Seu desempenho despertou o interesse de outros clubes, como Corinthians, Vasco e Santos, mas a diretoria alviverde fez questão de mantê-lo no plantel. Nessa temporada, Michael já superou seu número de gols em 2018, balançando as redes 9 vezes (8 pelo Goianão e 1 pela Série A) em 25 partidas.

Mesmo com as estatísticas a seu favor, o jovem de 23 anos ainda convive com olhares duvidosos a respeito do seu futebol. Frases como “Michael ainda precisa provar que pode jogar uma Série A”, são comumente ouvidas entre torcedores e comentaristas esportivos.

Experiência na Série A

Visto como o melhor jogador do Goiás, o atacante começou a Série A com atuações um pouco abaixo do esperado, fazendo com que as dúvidas e as críticas se tornassem cada vez mais frequentes. Michael já admitiu que não iniciou a competição como gostaria, mas explica que ainda está entendendo como jogar a competição. O guerreiro que confessou que saiu do crime para jogar bola, não passou por categorias de base e era chamado de peladeiro, hoje vive o auge da sua carreira, mesmo rodeado de desconfianças o camisa 11 do Goiás usa as críticas como incentivo para evoluir.

O imediatismo do futebol é cruel e muitas vezes injusto, o esporte não perdoa falhas, e não admite altos e baixos. A cobrança é contínua e vem de todos os lados, da torcida, da imprensa e da própria consciência. Muitos atletas passam momentos difíceis, de adaptação e muitas vezes acabam frustrando suas próprias expectativas.

Mas por que um jogador habilidoso, rápido e com números tão expressivos ainda têm sua qualidade técnica questionada ao mesmo tempo em que é considerado o principal jogador do time? Tal análise além de incoerente, empobrece o jornalismo esportivo e fomenta um comportamento que é compreensível apenas entre torcedores, não entre profissionais da área.

Nesta segunda-feira (10) o camisa 11 esmeraldino vai disputar o sua centésima partida com a camisa do Goiás, o jogo válido pela oitava rodada do Brasileirão é mais um capítulo da trajetória do atacante na equipe esmeraldina.

Mas agora, me diga você caro leitor, o Michael, ainda precisa provar alguma coisa?