29/maio/2019

“Asqueroso”, declara juiz, sobre técnico que estuprou paciente sedada em Goiânia

A justiça qualificou como “asquerosa” a cena de estupro, gravada pelas câmeras de segurança do Hospital Goiânia Leste. O técnico de enfermagem Ildson Custódio de Bastos, de 42 anos, que foi gravado durante a prática criminosa, já está preso, depois de se apresentar à Polícia Civil. A vítima, uma jovem estudante de arquitetura de 21 anos, foi internada com crises convulsivas no hospital, e precisou ser sedada. No mesmo dia da internação (16 de maio) ela foi molestada. O autor, nem a defesa, sabiam que contra o suspeito havia um mandado de prisão, com base em depoimentos e imagens de câmeras de segurança.

A vítima, que tinha epilepsia e foi levada para o hospital, era filha única, e morreu dias depois do fato ser registrado. A delegada Paula Meotti, titular da Delegacia de Apoio à Mulher (Deam), disse que pelas cenas “a vítima tenta claramente reagir”. A investigadora conta que a sessão de horror durou uma hora, e que o homem claramente não fazia nenhum procedimento de enfermagem na paciente, já que “atuou o tempo inteiro só com uma mão (direita), debaixo dos lençóis, tocando a vítima”.

Os pais da moça — um escrivão da Polícia Civil aposentado e uma sargento da Polícia Militar, estão à base de medicação, segundo informaram familiares.

Juiz decretou prisão e qualificou técnico como “Asqueroso”

O juiz Alessandro Manso e Silva, em substituição na 7ª Vara Criminal de Goiânia, responsável por decretar a prisão, justificou o mandado na sentença: “Não bastasse a gravidade concreta da conduta supostamente praticada, evidenciada pelos depoimentos colhidos pela autoridade representante e corroborada pelas imagens colacionadas no DVD anexo (o qual registra o vil e asqueroso momento do fato, ao menos para essa sede rasa de análise), verifico que o crime ora tratado tem pena privativa de liberdade superior a quatro anos, o que também autoriza e justifica a necessidade da prisão preventiva”.

O CASO

A paciente de 21 anos era estudante de arquitetura, e tinha epilepsia. Em crise convulsiva, foi levada para o Hospital Goiânia Leste. A paciente ficava hora consciente e hora fora de si, e chegou a dizer para uma enfermeira o que havia sofrido no dia 16 de maio, segundo os documentos judiciais a qual a reportagem teve acesso. Profissionais do hospital foram responsáveis por contar o caso à Polícia Civil, que apurou e identificou o autor, por imagens de câmera de monitoramento. No dia 26 de maio — 10 dias depois — a jovem morreu. A Polícia Civil apura se a morte tem relação com a violência sofrida.