A Vila Cultural Cora Coralina, no Centro de Goiânia, recebe a partir de 5 de outubro a exposição coletiva “Das paisagens, dessas que vêm aos lábios”. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra reúne trabalhos das artistas brasileiras Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti, que exploram diferentes relações entre paisagem, corpo e território.
A exposição é realizada em parceria entre o Sesc Goiás e a Galeria Marília Razuk, de São Paulo, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult Goiás). A entrada é gratuita.
Escultura, pintura e instalação integram a mostra, que apresenta obras produzidas com materiais como argila, vidro, latão, óleo sobre madeira, cimento, redes de pesca, resinas, rochas, sal e conchas.
Na exposição, a paisagem é abordada a partir da relação com o corpo e com as experiências vividas nos territórios. As obras partem de diferentes referências e processos para tratar de ambientes naturais, memória, transformações provocadas pela ação humana e formas de ocupação do espaço.
Anália Moraes
Radicada em Ilhabela, no litoral sul de São Paulo, Anália Moraes trabalha com escultura, fotografia e instalação. Sua produção investiga ecossistemas aquáticos, formações geológicas e paisagens modificadas pela ação humana.
A artista utiliza materiais como argila, vidro reciclado, aço, resinas, silicone, rochas, cimento, sal e conchas. As combinações entre elementos orgânicos e sintéticos aparecem em esculturas, instalações e relevos que fazem referência a ambientes aquáticos e formações geológicas.
O barro ocupa lugar central em sua produção por sua capacidade de registrar o tempo e as transformações da matéria. As rachaduras e marcas presentes nas esculturas fazem parte do processo de criação.
Maria Andrade
A pintura é a principal linguagem de Maria Andrade, que cria paisagens a partir de memórias, viagens e referências de lugares que conheceu. Entre elas estão experiências vividas durante uma residência artística no Marrocos e lembranças do interior de Minas Gerais.
Suas pinturas não reproduzem paisagens específicas. Plantas, águas, pedras e cachoeiras aparecem em cenários construídos durante o próprio processo de pintura, a partir de gestos e referências do imaginário.
A artista trabalha principalmente com pequenas dimensões e utiliza a madeira como suporte. As molduras também fazem parte da composição e delimitam o campo pictórico como uma espécie de janela para os ambientes representados.
Raquel Garbelotti
Raquel Garbelotti nasceu em Dracena, no interior de São Paulo, em 1973, e vive e trabalha entre São Paulo e Vitória, no Espírito Santo. Sua produção tem pinturas, esculturas, instalações e videoarte.
Na exposição, a artista retoma referências de nomes como Roberto Burle Marx, Lina Bo Bardi e Lygia Clark para abordar questões relacionadas ao paisagismo, à ecologia e à ocupação do território.
Entre os trabalhos apresentados está a série “Adaptação”, desenvolvida a partir de uma viagem a Pancas, no Espírito Santo, seguindo referências relacionadas à trajetória de Burle Marx.
A mostra também apresenta “Se for bicho, se for planta”, conjunto de esculturas de vidro sobre cimento, e “Frutos do mar”, série de esculturas em latão oxidado produzidas a partir de dejetos orgânicos coletados em praias de Vitória. Os trabalhos abordam, entre outras questões, a intrusão salina relacionada ao aumento do nível dos oceanos.
Curadoria
A curadoria de “Das paisagens, dessas que vêm aos lábios” é assinada por Galciani Neves, professora, curadora e doutora em comunicação e semiótica pela PUC-SP.
A proposta parte de reflexões do geógrafo Milton Santos sobre a paisagem como espaço relacionado à vida e das discussões do antropólogo Bruno Latour sobre o papel da arte diante das questões ambientais contemporâneas.
A partir dessas referências, a exposição estabelece relações entre as diferentes pesquisas das três artistas e propõe uma reflexão sobre a paisagem como experiência relacionada ao corpo, à memória e ao território.
Serviço: Das paisagens, dessas que vêm aos lábios – Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti | Vila Cultural Cora Coralina
Abertura: 5 de outubro, às 19h
Período: 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Onde: Vila Cultural Cora Coralina (Sala Antônio Poteiro) – Rua 3 – Centro
Entrada: Gratuita
Realização: Sesc Goiás e Galeria Marília Razuk
Apoio: Secult Goiás – Governo de Goiás












