A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta terça-feira (13) a Operação Nexo Oculto, que investiga supostas fraudes em processos licitatórios da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra).
A ação cumpriu três mandados de busca e apreensão e integra um inquérito conduzido pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap).
As apurações tiveram início após a Gerência de Ações Estratégicas da Secretaria de Infraestrutura comunicar indícios de irregularidades em licitações voltadas para obras públicas, especialmente a construção de pontes. Os contratos investigados ultrapassam R$ 5 milhões, com possíveis manipulações entre 2023 e 2025.
Suspeitas de fraudes em licitações da Goinfra

O principal alvo da investigação é um ex-servidor temporário da autarquia, suspeito de manter, de forma clandestina, o controle de uma empresa vencedora de diversos certames públicos. A corporação apura a atuação do investigado como sócio oculto, beneficiado diretamente pelo direcionamento dos processos licitatórios.
Segundo a Polícia Civil, o servidor era proprietário da empresa até 2021. Em 2022, cerca de seis meses após ingressar na Goinfra, formalizou a transferência societária para um terceiro. Contudo, para os investigadores, a operação teria sido apenas simulada. Mesmo após a suposta venda, o investigado continuou recebendo pagamentos superiores a R$ 100 mil, sem registro em contrato, o que reforça a hipótese de vínculo societário mantido de maneira irregular, segundo a polícia.
A investigação aponta que o servidor aproveitou sua posição interna para influenciar editais e favorecer diretamente a empresa investigada. Entre os indícios apurados estão:
- Criação de critérios técnicos exclusivos que apenas a empresa beneficiada conseguia atender;
- Redução da publicidade dos certames, limitando a concorrência e favorecendo resultados direcionados;
- Possível manipulação de cronogramas e exigências burocráticas para esvaziar disputas.
Além do favorecimento interno, a Polícia Civil identificou que a empresa investigada não possui sede operacional. Ela funcionaria a partir de coworkings, o que, segundo o relatório inicial, reforça o caráter de fachada utilizado para ocultar os vínculos com o servidor.
Mandados e apreensões
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram recolhidos documentos societários datados de 2025, computadores, mídias de armazenamento, notas fiscais e R$ 10,5 mil em espécie. O material apreendido deve passar por análise pericial, incluindo rastreamento de transferências financeiras e trocas de comunicação.

A Goinfra informou que o servidor já havia sido desligado e que um processo administrativo disciplinar (PAD) está em andamento para apurar responsabilidades internas. Confira a íntegra da nota:
“A Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) informa que os contratos e o servidor envolvido na operação Nexo Oculto são da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), autarquia jurisdicionada à Seinfra. A própria agência foi responsável por levar o caso ao conhecimento da Polícia Civil, que passou a conduzir a apuração de forma técnica e independente.
O servidor citado no caso, que ocupava função temporária na Goinfra, foi imediatamente desligado e toda a estrutura estadual está colaborando integralmente com as investigações, que referem-se a licitações realizadas em 2023, ligadas a obras de arte especiais (pontes).
O Governo de Goiás deixa claro que não protege irregularidades nem agentes que violem a lei. Caso sejam confirmadas responsabilidades, todos os envolvidos serão devidamente responsabilizados e punidos, nas esferas administrativa, civil e penal, conforme determina a legislação.
A Seinfra, inclusive, mantém na sua sede uma gerência vinculada à Polícia Civil, dedicada exclusivamente à garantia da lisura dos atos administrativos da secretaria e de suas jurisdicionadas: Goinfra, Saneago, Codego e Agehab.
O Governo de Goiás, a Seinfra e a Goinfra reafirmam compromisso absoluto com a legalidade, a transparência, o combate permanente à corrupção e o fortalecimento constante dos mecanismos de compliance, controle interno e cooperação institucional.”




