Brasil

Barragem tinha margem de segurança muito baixa em caso de liquefação

O relatório também aponta problemas nos sistemas de drenagem da barragem que podem ter levado a algum tipo de infiltração.
06/02/2019, 19h34

O relatório da consultoria alemã Tüv Süd, que atestou a estabilidade da barragem que se rompeu em Brumadinho (MG), revela que a estrutura trabalhava com uma margem de segurança muito baixa para a hipótese da liquefação dos rejeitos – fenômeno apontado como a provável causa do colapso. Além disso, o relatório chama a atenção para a presença de um pedregulho de extensão indeterminada no pé da barragem, cujo eventual deslocamento poderia servir de gatilho para a liquefação.

Os rejeitos de uma barragem de minérios são compostos, basicamente, de ferro em partículas muito finas, areia e água. Essa combinação é propensa ao fenômeno da liquefação. Ou seja, quando o volume e a pressão da água aumentam por algum motivo, o solo tende a se liquefazer. Fatores externos, como tremores de terra, também podem servir de gatilho para a liquefação.

No entanto, a margem de segurança da barragem do Córrego do Feijão para a hipótese da liquefação era bem baixa, segundo o relatório. Ela foi estimada em três pontos diferentes em 1,2; 1,18 e 1,09. As normas vigentes para o setor preconizam uma margem de segurança mínima de 1,50 (ou de 50%).

O relatório entende, no entanto, que a barragem atende a norma na condição drenada (ou seja, em condições ideais, quando não há infiltração de água), registrando fatores de segurança de 1,93; 1,76 e 1,60. A norma NBR-13028, de fato, não preconiza um fator de segurança mínimo para o modo de falha liquefação (quando há infiltração de água), mas apenas em condições ideais.

“As obras de engenharia em geral deixam uma margem de segurança extra, em geral de 1,50 ou 50% a mais de resistência”, explicou o professor Mario Riccio, da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora. “Algumas obras admitem fatores de segurança um pouco menores, dependendo da situação, quando não há riscos de vidas humanas, por exemplo.”

No entanto, o próprio relatório explica que “as análises de estabilidade sob condições não-drenadas (com água) têm o intuito de avaliar o potencial de ruptura da barragem por liquefação”. Além disso, o relatório também aponta problemas nos sistemas de drenagem da barragem que podem ter levado a algum tipo de infiltração.

“Para que o fenômeno da liquefação ocorra, além da presença dos materiais suscetíveis, há também a necessidade de ocorrência de um gatilho”, ressalta o relatório. Os gatilhos, segundo o documento, podem estar associados a eventos estáticos ou dinâmicos, como o alteamento rápido da barragem, a elevação do nível do reservatório, excesso de equipamentos, detonações, remoção de materiais, movimentação da fundação da barragem, entre outros.

O próprio relatório chama a atenção para um potencial gatilho: “Já no pé da barragem, deve-se atentar ao grande bloco abaixo da estrada. Para determinar com precisão sua extensão, recomenda-se a limpeza da área e a realização do mapeamento geológico de superfície. Esta última deve ser complementada por investigação geofísica para determinação das dimensões não expostas”. E recomenda: “Uma vez realizadas tais investigações, a estabilidade do bloco e seu potencial de comprometimento da estrutura devem ser avaliados. Especialmente, deve-se atentar à possibilidade de que as movimentações deste bloco constituam gatilhos para a liquefação”.

O relatório, de agosto do ano passado, tinha validade de um ano. O documento foi assinado pelo engenheiro Makoto Namba e o consultor em geotécnica André Jum, que chegaram a ser presos, mas foram soltos ontem. O documento, de 265 páginas, foi elaborado com base em informações fornecidas pela Vale, análises técnicas e vistorias de campo.

A Vale informou que a barragem “possuía fator de segurança de acordo com as boas práticas mundiais e acima da referência da norma brasileira”. A mineradora disse ainda que “a barragem passava por inspeções de campo quinzenais, todas reportadas à Agência Nacional de Mineração. Todas essas inspeções não detectaram nenhuma alteração no estado de conservação da estrutura.”

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Goiás

Barragens em Goiás não tem normas estabelecidas e nem fiscalização

"No Estado nós temos atualmente 230 barragens licenciadas, outras 1300 outorgadas, mas sem nenhuma fiscalização", conta a secretária.
06/02/2019, 20h31

Durante uma reunião pública na tarde desta quarta-feira (6/2) na sede da Secretaria do Meio Ambiente de Goiás (Secima) a secretária Andréa Vulcanis, apresentou o plano de ação para evitar tragédias como as de Marina e Brumadinho, em Minas Gerais. Além de apresentar o plano de ação, a titular da pasta afirmou que não existe nenhuma norma estabelecida para as barragens que o governo do Estado gerencia.

Entre as propostas do Plano de Ação para o Controle de Barragens (PACSB) estão o cadastramento de todas as barragens de Goiás, a classificação de cada uma delas, o dano que elas podem causar em caso de rompimento, documentações em dias, inspeções e vistorias, além de planos de emergências e outros critérios para que as barragens no Estado possam ser regularizadas.

Conforme a secretária, as barragens que estão sob a gestão do Estado, não tem possuí nenhuma norma para fiscalização delas. “Isso mostra que não há controle ou fiscalização. Por isso, esse plano é importantíssimo para o controle e fiscalização das barragens”, explicou Vulcanis.

Entre outras ações, Andréa Vulcanis informou sobre a importância dos processos de licenciamento ambiental para as mineradora em atividade, que tem barragens de rejeito. “Nós precisamos observar como as atividades estão sendo feitas por eles. Pois, o objetivo é melhorar o controle e fiscalização não apenas dos barramentos, mas também do licenciamento ambiental e da instalação das barragens”, informa a secretária.

Cadastro das Barragens no PACSB

A titular da Secima, afirmou que até a próxima sexta-feira (8/2) vão ser elaboradas normas de discussão com as entidades e empresas envolvidas para o cadastro de todas as barragens do Estado, no PACSB, e possa entrar em vigência o mais rápido possível.

“Não existe até o momento nenhuma estrutura dentro da secretaria para fazer o controle efetivo e oficializar as barragens no Estado, que serão classificadas conforme o grau de risco e pelo potencial de dando”, reforça Andréa Vulcanis.

Conforme a secretária, a Secima é órgão com competência para emitir o licenciamento ambiental para construção das barragens e outras atividades como irrigação, saneamento e mineração. Além de ser responsável por fazer o licenciamento, a Secima também é quem tem o poder de fiscalizar a segurança dos barramentos e da população próxima a elas. “No Estado nós temos atualmente 230 barragens licenciadas, outras 1300 outorgadas, mas sem nenhuma fiscalização”, conta a secretária.

Andréa Vulcanis afirmou ao fim da reunião acreditar que até o fim de 2019, todas as barragens do Estado estejam contabilizadas. A titular da Secima encerrou a reunião ao afirmar que precisa da ajuda de todos os envolvidos e que ações individualizadas e sem controle enfraquecem o propósito. Para isso, além do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO), a Defesa Civil, a Polícia Militar Ambiental, CREA, Agência Nacional de Mineração e o Instituto Mauro Borges assinaram um Termo de Cooperação Técnica a parte do Plano.

Além de apresentar o PACSB, a Secima pede também que outras contribuições sejam remetidas a entidade para promover a segurança das barragens em Goiás. A secretária vai receber as contribuições por meio do WhatsApp (62) 982686992 ou pelo e-mail [email protected]

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Goiás

Vídeos mostram policial matando homem que tinha acabado de matar, em Goiânia

Sargento atirou em Rafael Arcanjo após ele matar Pedro Henrique. Outras duas pessoas morreram, mas Polícia Civil investiga se foi violência policial.
06/02/2019, 21h07

Vídeos mostram o momento em que por volta das 18h30, Rafael Arcanjo da Silva, de 28 anos, no sábado (2/2) foi morto com disparos de arma de fogo pelo sargento da reserva da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), Expedito Mesquita Bezerra, no setor Progresso, em Goiânia.

O policial, conduzindo seu Ford EcoSport próximo à Praça do Ponto Final do setor Progresso, foi abordado por Rafael, que tinha acabado de matar a tiros Pedro Henrique Castro Qualhato, de 21 anos.

Em outro vídeo, Rafael chega em uma rua próxima por volta das 17h16.  Conforme testemunhas, ele chegou próximo se aproximou de Pedro Henrique e os dois começaram a discutir. Rafael sacou a arma e atirou. Quando tentava atravessar a rua para fugir no carro, se deparou com o sargento.

Veja vídeo do momento em que policial mata assassino, em Goiânia

Durante alguns segundos, o sargento observa a arma de Rafael e atira. O policial alega legítima defesa. Após os tiros, o sargento ainda dá chutes no homem caído.

Nas redondezas, uma equipe do Tático do 13° BPM que patrulhava pelo local ouviu que, conforme o Registro de Atendimento Integrado (RAI) feito pelos policiais, souberam da possível participação de outros três homens.

Após as duas mortes, policiais matam adolescente de 16 anos e amigo, em Goiânia

A três quadras dali, os policiais entraram em uma casa na rua J, do mesmo setor Progresso. Lá dentro, Kayque Danúbio Correia Mendanha, de 16 anos, se preparava para sair de casa para trabalhar na mesma praça em que ocorreu as duas mortes. Ele ajudava o pai em um Pit Dog a poucos metros de onde Rafael matou Pedro Henrique.

Na mesma casa, estavam outras cinco pessoas, entre elas o avô do menino Kayque. Um amigo da família, Guilherme Junio Ferreira Evangelista, de 27 anos, também foi morto.

Na versão dos policiais, as duas vítimas reagiram à abordagem dentro da residência. Amigos e vizinhos, contudo, contestam. Acusam os policiais de chegarem e atirarem na barriga dos dois. Ainda segundo os policiais, no local foram apreendidos 2 revólveres calibre 38, por isso teriam agido em legítima defesa.

A Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DEIH) informou que não vai comentar o caso, que está nas mãos da delegada Myrian Vidal.

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Goiás

Polícia Civil apresenta servidores municipais presos em Pirenópolis 

Secretários, assessores e empresários foram presos na manhã de ontem (6/2), suspeitos de fraude e desvio de dinheiro no serviço de limpeza urbana.
07/02/2019, 07h41

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) apresenta na manhã desta quinta-feira (7/2) na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em Goiânia, os servidores municipais presos na madrugada de ontem (6/2) em Pirenópolis. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 13 de busca e apreensão.

Entre os presos estão dois secretários, assessores especiais da prefeitura e empresários. O grupo é investigado por  fraudes e desvios de recursos públicos, por meio de licitação com empresa contratada para prestação de serviço de limpeza urbana da cidade.

No final da tarde de ontem alguns dos acusados foram ouvidos; os depoimentos devem continuar nesta quinta-feira. As investigações estão sob comando da delegada titular da Deic, Mayana Rezende.

Servidores municipais presos em Pirenópolis

Os servidores da Prefeitura de Pirenópolis e os empresários de Goiânia foram presos suspeitos de fraudar e desviar dinheiro público por meio de licitação com empresa responsável pelos serviços de coleta, varrição das vidas públicas e podas. Informações preliminares apontam que foram desviados ao menos R$ 3,4 milhões.

Veja abaixo a lista de presos divulgada pela Polícia Civil de Goiás:

  • Adriano Gustavo de Oliveira e Silva – secretário de Administração e Governo;
  • Ozair Louredo da Cunha – secretário de Infraestrutura e Trânsito;
  • Lucas Augusto Barbosa Sousa – servidor do Departamento de Licitações e Contratos;
  • Marcos Aurélio Figueiredo – assessor Especial;
  • Waidson José Pereira Arantes – consultor jurídico;
  • Ney Jakson Oliveira – chefe do Controle Interno;
  • Júlio César Alves Bueno – autônomo;
  • Diogo Rosa de Castro – empresário;
  • Kelly Miquelante Oliveira de Castro – empresária.

Dia Online tenta contato com a Prefeitura de Pirenópolis; até a publicação da reportagem as ligações não foram atendidas. O espaço está aberto para manifestação. A defesa dos presos também é procurada.

Pirenópolis

Pirenópolis é uma das principais cidades turísticas de Goiás. Situada no interior do estado, embora afastada dos grandes centros urbanos, a cidade também é um dos locais mais procurados por turísticas que visitam o estado, uma vez que é considerada como o retrato vivo da história goiana. A cidade é cercada por morros e cachoeiras, que são as maiores atrações do local.

Imagens: Flickr 

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Goiás

Com Saúde em Goiás em crise, secretário vai à Bahia buscar soluções

O secretário informou que o objetivo da visita foi conhecer e avaliar a estrutura de saúde da capital, Salvador, e de cidades do interior, como Feira de Santana.

Por Ton Paulo
07/02/2019, 08h24

O secretário de Estado da Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino, esteve na Bahia na última quarta-feira (6/2) para analisar um novo modelo de gestão da Saúde que é praticado no estado baiano. Segundo ele, um modelo de gestão regionalizado aos moldes do modelo baiano pode ser implantado na Saúde em Goiás, que atualmente se encontra em trancos e barrancos.

O secretário informou que o objetivo da visita foi conhecer e avaliar a estrutura de saúde da capital, Salvador, e de cidades do interior, como Feira de Santana. Ele visitou uma unidade que presta atendimento a moradores de cerca de 30 cidades do Estado e que, segundo ele, “contribui para desafogar a rede de saúde da região”, e anunciou que pretende adotar algo semelhante em Goiás.

“A Bahia tem modelos de Policlínicas focadas na regionalização, que é um dos pilares da nossa gestão. Vim conhecer na prática a dinâmica da rotina dos profissionais de saúde e os níveis de atuação dessas unidades”, explicou o gestor em visita à Policlínica de Saúde da Região de Feira de Santana.

O local oferece atendimento em várias especialidades médicas e realiza diversos tipos de exames. Quem recebeu Ismael Alexandrino foi o secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas. Ao falar das Policlínicas, Vilas-Boas afirmou “que é uma experiência inovadora na gestão do sistema de saúde, diferente do que vem sendo implantado em todo o Brasil”.

Em visita à unidade, o titular da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) conheceu toda a estrutura física do local e os fluxos utilizados para assistência da população dos municípios baianos.

Secretário disse que pretende implantar modelo baiano na Saúde em Goiás

Em entrevista à imprensa local na ocasião, Ismael explicou que a saúde não deve ser praticada somente na capital, ainda mais em Estados com grande extensão territorial, como Goiás e Bahia. Ele elogiou o trabalho regionalizado das Policlínicas e disse que pretende levá-lo aos goianos, visto que ainda não há algo parecido em Goiás. “O modelo adotado aqui é exitoso e pretendemos implantá-lo no nosso Estado para dar um acesso à saúde mais próximo da população”, destacou Alexandrino.

Ismael destacou afirmou que “a troca de experiência entre gestores é fundamental para melhorias na saúde pública”. “Se algo dá certo em determinado Estado, não temos que começar do zero. A boa prática de gestão utiliza e aplica experiências exitosas de outros locais”, comentou.

Questionado sobre a regulação em Goiás, ele explicou que, apesar de existir, ainda não é algo estruturado por não ser clara a relação do Estado com os municípios. “Há três cidades com aquilo que chamamos de ‘gestão plena’. Agora estamos fazendo um movimento de levar a regulação para o nível estadual para que possamos enxergar todas as unidades de saúde e a população, deixando mais clara a relação entre os entes”, pontuou.

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