Brasil

SP: PMs São presos por achacar e receber 'mesada' de traficantes ligados ao PCC

19/12/2018, 07h32

Cinquenta e quatro policiais foram presos nesta terça-feira, 18, sob a acusação de terem montado uma organização criminosa dentro do 22.º Batalhão da Polícia Militar para achacar traficantes de drogas ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na zona sul de São Paulo. Os PMs exigiriam propina avulsa e mesada para devolver drogas apreendidas, soltar funcionários de traficantes, avisar quando outros colegas se aproximavam dos pontos de drogas e até para prender traficantes concorrentes dos bandidos.

A Corregedoria da PM listou 52 casos, que juntos reúnem 122 acusações contra os policiais. A eles, os responsáveis pelas investigações imputaram oito tipos diferentes de crime: corrupção, concussão, falsidade ideológica, violação de sigilo funcional, associação para o tráfico, peculato, prevaricação e organização criminosa. Nesta terça, seis deles foram autuados em flagrante por tráfico – um guardava entorpecente no armário, no batalhão, e o outro em casa – e porte ilegal de armas. Dez armas foram apreendidas, além de R$ 80 mil.

O capitão Rodrigo Elias da Silva, da Corregedoria da PM, representou à 1.ª Auditoria da Justiça Militar pela decretação da prisão de 54 policiais. Ele pediu ainda – com a concordância do Ministério Público – a expedição de mandados de prisão contra cinco acusados de tráfico ligados à facção criminosa, quatro dos quais foram presos nesta quarta. Também foram requisitados 70 mandados de busca e apreensão.

O juiz Ronaldo João Roth decretou as 59 prisões preventivas e expediu os 70 mandados de busca em 19 municípios em 3 Estados (Rio, São Paulo e Minas). Eram 6 horas quando 450 policiais – 280 da Corregedoria e 170 do 2.º Batalhão de Choque -, acompanhados por promotores do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagraram a fase Katrina da Operação Ubirajara – nome do bairro onde a investigação começou, na zona sul.

Katrina é uma referência ao furacão que devastou o sul dos Estados Unidos em 2005. A operação resultou em uma das maiores prisões em massa efetuadas pela Corregedoria na história. Entre os acusados não há oficiais. São 1 subtenente, 7 sargentos, 13 cabos e 33 soldados.

Em 3 de fevereiro de 2018, uma denúncia anônima chegou aos homens da Corregedoria. Segundo ela, policiais haviam abordado três pessoas naquele bairro. Os acusados estariam com drogas, mas, em vez de levar o trio para o 98.º Distrito Policial (Jardim Miriam), dois soldados teriam recebido o suborno de Sandro Gomes da Silva – capturado nesta quarta. Eles liberaram os dois maiores detidos e levaram à delegacia só uma adolescente. Em troca, receberam R$ 6 mil no dia 8. No dia 9, telefonaram para Silva, exigindo mais R$ 4 mil.

Esquema

A Corregedoria passou a monitorar telefones que seriam usados pelos PMs nos achaques e descobriu a rede que envolvia dezenas de policiais no esquema de recolhimento de propinas no 22.º Batalhão. Ao todo, os corregedores ouviram 82 mil ligações telefônicas. Um dos traficantes que pagaria um mensalinho para os policiais seria Julio Cesar Oliveira Silva, o Revolta.

A Corregedoria monitorou entregas de dinheiro para policiais nos dias 25 de março, 14 e 20 de abril, 15 e 18 de maio e 12 e 23 de junho. Mais de uma dezena de policiais foram flagrados apenas nos achaques feitos contra Revolta, apontado como integrante do PCC. Em troca de até R$ 1,5 mil fixos, além de pagamentos extras, os policiais deixaram os pontos de droga do acusado funcionarem em Cidade Ademar.

O valores das propinas investigadas variavam de R$ 300 a R$ 10 mil. Em 23 de junho, Revolta entregou R$ 300 para uma soldado, metade do valor pago pelo acusado para seu companheiro, um soldado, que foi buscar o dinheiro em sua moto, durante a folga – as propinas também eram pagas durante o serviço.

Em outra ocasião, os PMs pediram R$ 50 mil para soltar um traficante envolvido com o tráfico de armas e munições para fuzis. Era 11 de abril. Como o bandido alegou não ter o dinheiro, os PMs aceitaram dar um desconto. Primeiro, a propina caiu para R$ 20 mil; depois, para R$ 5 mil e, finalmente, para R$ 4 mil, pagos em duas parcelas. O dinheiro foi dividido entre quatro PMs.

Prisão ‘comprada’

Durante seis dias, os policiais da Corregedoria da Polícia Militar acompanharam um caso classificado por um dos investigadores como “retrato da falta de ética entre os bandidos”. Um soldado, conhecido como Ceará, aceitou a proposta de R$ 3 mil feita por Victor Matheus Ferreira Bastos – um dos acusados de tráfico presos nesta quarta – para “montar um time” e prender seu sócio, o também traficante conhecido como Bruno. Bastos queria assumir sozinho o controle do ponto de venda de drogas. Ceará buscou então ajuda de dois sargentos e um soldado para fazer a prisão.

No dia 27 de junho, o time providenciado pelo soldado Ceará deteve Bruno. Mas, em vez de levá-lo para a cadeia, decidiu tomar R$ 4.550 para deixá-lo solto. Ceará contou o que se passou para o traficante que o contratou e garantiu que “se recusou” a receber o dinheiro da propina paga pelo sócio de Bastos.

No dia 27 de maio, outros três PMs detiveram um integrante do PCC, que foi liberado após a abordagem. Os policiais, no entanto, ficaram com a droga apreendida e exigiram R$ 2 mil. Receberam apenas R$ 500, mas conseguiram transformar a tomada de dinheiro acidental em uma mesada quinzenal que o PCC passou a dar para os policiais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Goiás

Incêndio atinge lojas de peças de veículos, em Goiânia

Um total de 21 bombeiros do Corpo de Bombeiros Militar foi preciso para controlar as chamas.

Por Ton Paulo
19/12/2018, 07h48

Um incêndio de grandes proporções atingiu dois estabelecimentos comerciais na madrugada desta quarta-feira (19/12), no Setor Leste Vila Nova, em Goiânia. Um total de 21 bombeiros do Corpo de Bombeiros Militar foi preciso para controlar as chamas que atingiram uma loja de autopeças e uma de peças usadas e veículos.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a corporação foi acionada por volta das 3h35 desta madrugada. O incêndio afetou duas lojas de peças de veículos na Avenida Independência, Setor Leste Vila Nova, próximo ao Terminal Praça da Bíblia, em Goiânia.

Ao todo, 21 bombeiros trabalharam na operação de combate ao incêndio que atingiu as lojas, e foram gastos aproximadamente 13 mil litros de água.

Felizmente, ninguém ficou ferido.

No início do mês, incêndio destruiu parte de faculdade no município de Catalão

No início deste mês de dezembro, o Corpo de Bombeiros Militar teve que ser acionado para controlar um incêndio em uma faculdade de Catalão, a 256 quilômetros de Goiânia. De acordo com informações dos bombeiros à época, o incêndio teve início quando um carrinho de pipoca pegou fogo na entrada da instituição e atingiu o anfiteatro da faculdade, a Cesuc. No momento, um evento era realizado no prédio.

De acordo com as informações dos bombeiros, o fogo que começou no carrinho de pipoca se intensificou por conta de um botijão de gás de cozinha, que estava ao lado do carrinho. Além do carrinho de pipoca, o fogo atingiu também o anfiteatro da Cesuc, o teto da instituição que caiu durante o incêndio.

Ainda conforme a corporação o responsável pelo carrinho perdeu os utensílios de cozinha, objetos e documentos pessoais no incêndio.

A equipe que foi ao local para dar apoio fez o rescaldo do anfiteatro, e usou o motor ventilador para retirar o excesso de fumaça no local. Apesar do susto, não houve vítimas.

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Economia

Brasil gasta mais que a média com aposentadoria

Na área de saúde, as despesas em 2017 somaram 2% do PIB.
19/12/2018, 08h30

O governo brasileiro gastou no ano passado 12,7% do PIB com proteção social (principalmente aposentadorias e pensões), cinco pontos porcentuais acima da média de outros 54 países. Também estão em alta os gastos com juros da dívida pública, enquanto as despesas com saúde e educação ficaram abaixo da média das outras nações.

Os dados constam de relatório divulgado nesta terça-feira, 18, pelo Tesouro Nacional. O documento classificou as despesas brasileiras por função, com base em metodologia internacional, para permitir a comparação com outras nações.

Segundo o estudo, a comparação internacional mostra que o governo do Brasil é um dos que mais gastam com proteção social. A média dos países do G-20 e das economias avançadas é 8,2% do PIB, enquanto os emergentes gastam 7,6%.

O relatório mostra que a despesa do governo central no Brasil foi de 33,7% do PIB e 32,75% em 2017, próximo ao nível de países como Dinamarca, Finlândia e Noruega. “O Brasil tem um gasto público do governo central, como porcentual do PIB, semelhante a um grupo de países muito ricos e de tributação elevada”, afirma o texto.

O Brasil também gasta mais que a média para pagar juros da dívida pública. Só as despesas com a dívida pública chegaram a 9,70% do PIB, acima do que gastam os emergentes (2,7%) e os países do G-20 (3,17% do PIB).

Enquanto os gastos com juros, apesar de ainda altos, foram reduzidos em R$ 123,6 bilhões entre 2015 e 2017, a despesa com proteção social cresceu R$ 158,9 bilhões neste período, aumento concentrado em aposentadorias e pensões, que respondem por 70% desse item. “É imprescindível avançar na reforma da Previdência, sem a qual não haverá controle do gasto público no Brasil”, completa o documento.

Educação

Na outra ponta da tabela, os gastos do governo federal com educação foram de 2,4% do PIB em 2017, abaixo da média dos países da amostra, que foi de 3,1%.

Na área de saúde, as despesas em 2017 somaram 2% do PIB, enquanto a média dos 54 países foi de 3%.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Imagens: O Sul 

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Goiás

Polícia encontra armas de fogo e dinheiro nacional e estrangeiro na casa de João de Deus

O material foi encaminhado para a Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), unidade responsável pelas investigações.

Por Ton Paulo
19/12/2018, 08h35

A Polícia Civil (PC) de Goiás apreendeu na última terça-feira (18/12) uma mala cheia de dinheiro em espécie, tanto nacional quanto estrangeiro, além de armas de fogo na casa do médium João de Deus, em Abadiânia. Na Casa Dom Inácio de Loyola, onde eram feitos os atendimentos espirituais e que também foi alvo de buscas feitas pela corporação, foram apreendidos recibos e outros documentos.

De acordo com a PC, foram encontradas cinco armas de fogo de calibre permitido, aproximadamente R$ 257.680 reais, mais de 15 mil euros, 990 dólares australianos além de outros tipos de moeda estrangeira, em menor quantidade.

O material foi encaminhado para a Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), unidade responsável pelas investigações.

Os policiais também realizaram buscas no centro em que o médium realizava seus atendimentos espirituais, inclusive na sala onde, segundo as vítimas do médium, ocorriam os abusos sexuais. Em depoimento, o médium afirmou que possui uma sala na Casa Dom Inácio de Loyola, cuja porta é transparente. Ele declarou que “nunca trancou a porta para atendimentos e, muitas vezes, é o atendido quem a tranca”.

João de Deus se entregou à polícia no último domingo

João Teixeira de Faria, de 76 anos, o João de Deus, se entregou à polícia na tarde do último domingo (16/12), em Goiás. O local combinando para entrega foi um ponto da BR-070, entre Goiânia e Brasília, e ele estava acompanhado de seu advogado. Ele era considerado foragido desde o sábado (15/12) e foi procurado em mais de 30 endereços apontados pela investigação. O líder religioso, denunciado por mais de 300 mulheres por abuso sexual, nega todas as acusações.

De acordo com a Polícia Civil de Goiás, João de Deus se apresentou espontaneamente ao delegado-geral, André Fernandes, e ao delegado titular da Delegacia de Investigações Criminais (Deic), Valdemir Pereira da Silva.

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Goiás

Defesa de João de Deus recorrerá ao STJ para tentar prisão domiciliar

O pedido de habeas corpus da defesa do médium foi negado.
19/12/2018, 08h36

A defesa do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, de 76 anos, preso há quatro dias, recorrerá hoje (19) no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a prisão preventiva em prisão domiciliar com tornozeleira. O recurso ocorre após a Justiça de Goiás negar o habeas corpus impetrado pelos advogados.

“Apenas a liminar foi apreciada e negada. O julgamento final do habeas [corpus] deverá se dar após o recesso. Discordamos da decisão e vamos recorrer ao STJ”, afirmou o advogado Alberto Toron, em nota à imprensa.

Segundo o advogado, é preciso levar em conta a idade avançada e o estado de saúde do médium. Também deve ser considerado, de acordo com a defesa, o fato de o médium ter se apresentado espontaneamente à polícia e prestado esclarecimentos.

Pelo terceiro dia consecutivo, João de Deus passou a noite em uma cela de 16 metros quadrados com pia e vaso sanitário, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Denúncias

O pedido de prisão preventiva foi decretado com base em 15 denúncias já formalizadas em Goiânia, todas por crimes sexuais. Desde a semana passada, a força-tarefa do Ministério Público de Goiás recebeu 506 relatos de crimes sexuais atribuídos ao médium.

Para o promotor Luciano Miranda, que integra a força-tarefa que investiga as acusações, o médium é suspeito da prática de pelo menos três crimes: estupro de vulnerável, estupro e violação sexual.

Ontem (18), policiais federais, que fazem parte do grupo de força-tarefa, cumpriram mandados de busca e apreensão na Casa Dom Inácio Loyola, onde João de Deus fazia os atendimentos espiritualistas. Eles revistaram as partes internas, administrativa e os locais de oração.

Os policiais deixaram o centro espiritualista com documentos. Eles também foram a uma residência, apontada como propriedade do médium, onde recolheram armas e dinheiro, segundo informações preliminares.

Detalhes

A TV Anhaguera, de Goiânia, teve acesso ao pedido da Justiça de prisão preventiva com base nas investigações policiais. O texto menciona que o médium “se aproveitava” de “mulheres fragilizadas” e que em alguns casos houve “penetração”.

Também cita João de Deus com um  “comportamento padronizado” nas agressões sexuais e que ele criava uma “atmosfera intimidatória” para abusar das vítimas.

Imagens: Agência Brasil 

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