Economia

Economia informal gira uma África do Sul no Brasil

02/12/2018, 09h52

O Brasil tem hoje o equivalente à economia da África do Sul girando na informalidade. Do pacote de bala vendido no farol de trânsito à consultoria prestada sem nota – atividades que viraram a tábua de salvação de milhões de desempregados para obter alguma renda -, essa economia paralela movimentou R$ 1,17 trilhão em 12 meses até julho deste ano.

Isso é o que revela o Índice de Economia Subterrânea (IES), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco). Desde que o País mergulhou na recessão no segundo trimestre de 2014, a fatia da informalidade em relação à soma de toda a riqueza gerada formalmente no País, o Produto Interno Bruto (PIB), não parou de crescer.

Hoje a participação da informalidade equivale a 16,9% do PIB, quase um ponto porcentual a mais em relação a 2014 – ano em que o Brasil vinha de um período de forte crescimento e a economia informal estava em seu menor nível (16,1% do PIB).

Em quatro anos, a economia subterrânea aumentou o seu peso relativo no PIB em R$ 55 bilhões, calcula o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Ibre/FGV e responsável pelo indicador. Ele explica que, num primeiro momento, a crise foi tão forte que derrubou tanto a economia formal quanto a informal. Mas, pelo fato de a economia informal ser mais flexível, ela reagiu mais rapidamente. “No ano passado, quando iniciamos a recuperação, o primeiro a retomar foi o emprego informal porque é a parte mais flexível e isso explica o aumento que tivemos na economia subterrânea”, diz.

No critério usado pela FGV, a economia subterrânea inclui a produção de bens e serviços não declarada ao governo para sonegar impostos e contribuições, a fim de reduzir custos. O índice é calculado a partir de dois grupos de indicadores. Um deles é a demanda da população por dinheiro vivo, que geralmente cresce quando a informalidade aumenta, porque essa é uma forma de burlar o fisco. O outro é o trabalho informal.

“Há um aumento da participação dos informais no mercado de trabalho, tanto em vagas como em renda, que coincide com o aumento da economia subterrânea”, observa o economista da LCA Consultores, Cosmo Donato. Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad) do IBGE, ele destaca que em outubro de 2015 existiam 33,2 milhões de brasileiros na informalidade. Hoje são 36 milhões, 2,8 milhões a mais. No mesmo período, o número de trabalhadores formais caiu 1,8 milhão.

“A brutal crise econômica abalou a formalização do mercado”, diz o presidente executivo do Etco, Edson Vismona. Mas ele pondera que, paralelamente, existe uma outra faceta que estimula a informalidade: o sistema tributário complexo e o excesso de burocracia. “É muito difícil acompanhar as mudanças tributárias que ocorrem no País.” No entanto, ele admite que hoje a conjuntura é o fator que tem contribuído mais para o avanço da informalidade.

Tendência

Para Barbosa Filho, uma vez que a economia volte a funcionar normalmente com a aprovação das reformas, a tendência é que a formalização das atividades seja retomada gradativamente. “Daí, voltaremos a ver a queda da economia subterrânea que tivemos ao longo do tempo.” Em 2003, quando o IES começou a ser apurado, a informalidade correspondiIa a 21% do PIB e recuou para a sua menor marca em 2014.

Do ponto de vista do emprego, a última variável a reagir na retomada, Donato acredita que as contratações formais devem crescer, mas não serão tão relevantes. Isso porque o movimento será gradual e deve ocorrer em paralelo com o crescimento da informalidade.

Ex-bombeiro e ex-cabeleireira

A menos de 20 metros de distância na rua 25 de Março, no centro da capital paulista, dois ambulantes revelam facetas diferentes da informalidade.

O ex-bombeiro civil Vinícius Silva Pereira, de 23 anos, está há cinco anos na informalidade por opção. “Pedi demissão e vim para a informalidade porque é melhor.”

Como bombeiro civil, ele ganhava R$ 2,8 mil por mês e trabalhava dia sim, dia não. Como ambulante, hoje trabalha seis dias por semana, e, dependendo do mês, tira entre R$ 3 mil e R$ 4,5 mil com a venda de mercadorias da época. Na semana passada, por exemplo, vendia pen drive.

Já a ambulante M.S., de 35 anos, há dois acabou indo para informalidade por falta de opção. Cabeleireira, ela tinha um ponto alugado, onde atendia às clientes. “Mas tudo ficou muito caro, o aluguel, os produtos, e o movimento caiu muito.” Por isso, ela conta que resolveu fechar o salão e trabalhar em casa, mas não teve retorno financeiro. A saída para a ex-cabeleireira foi seguir a trajetória do marido que virou ambulante depois de perder o emprego como ajudante de pedreiro.

No começo, M.S. vendia água. Mas como é uma mercadoria pesada para ela, caso precise correr da fiscalização, acabou vendendo itens mais leves. “O que eu tenho aqui é uma mini Pagé”, diz ela, fazendo alusão à Galeria Pagé, que reúne lojas de eletrônicos, também na rua 25 de Março.

Trabalhando como ambulantes, ela e o marido tiram entre R$ 5 mil e R$ 7 mil líquidos por mês. Quando era cabeleireira e pagava impostos e o marido tinha carteira assinada, a renda do casal, que tem dois filhos, era um pouco menor. “Gostaria de voltar para a formalidade e ter a minha própria empresa”, diz a ex-cabeleireira. Ela conta que o marido também gostaria de voltar a ter carteira assinada.

Para o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da FGV/Ibre, o ex-bombeiro e a ex-cabeleireira mostram os dois fatores que impulsionam a economia informal: questões conjunturais e estruturais.

Pereira se tornou ambulante porque a economia formal é muito regulada, o que encarece as contratações para quem emprega e significa descontos elevados no holerite. Resultado: a renda líquida como informal é maior, o que faz com Pereira não desista da nova atividade.

Já a ex-cabeleireira foi empurrada para a informalidade por causa da crise. Com a retomada, ela deve voltar para formalidade, prevê o economista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Economia

Um ano e meio após gravação de Temer, irmãos Batista estão R$ 2,5 bi mais ricos

As ações nas mãos dos Batistas, que detêm 40,6% da companhia, somam hoje R$ 13 bilhões.
02/12/2018, 10h12

Um ano e meio após as delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista virem à tona, a JBS, dona da Friboi, voltou a se recuperar – e os dois estão R$ 2,5 bilhões mais ricos. Hoje, o valor de mercado da empresa – quase R$ 32 bilhões – é 23% maior que no dia 17 de maio de 2017, quando as gravações de Joesley com o presidente Michel Temer tornaram-se públicas. As ações nas mãos dos Batistas, que detêm 40,6% da companhia, somam hoje R$ 13 bilhões.

Um dos maiores produtores de carne bovina do mundo, o grupo também teve seu nome envolvido, em março do ano passado, na Operação Carne Fraca, que investiga irregularidades e pagamentos de propinas a agentes do Ministério da Agricultura. Mesmo com a reputação arranhada, o grupo conseguiu blindar sua operação e aumentar as vendas da companhia.

Para conter a crise e evitar o desmanche do império da família, Joesley e Wesley deixaram, em maio de 2017, o conselho de administração da JBS e de outras empresas sob o comando da holding J&F. Desde então, passaram a negociar diretamente com bancos e investidores a venda de parte de seus negócios para fazer caixa e evitar a cobrança antecipada de dívidas de cerca de R$ 20 bilhões que venciam até 2020.

Entre maio e agosto do ano passado, foram vendidos frigoríficos do Mercosul (para o Minerva) e a Alpargatas (para o Itaúsa). No mês seguinte, os irmãos venderam a Eldorado Celulose (para Paper Excellence) e a Vigor (para a mexicana Lala).

Irmãos Batista presos

Quando os dois irmãos foram presos em setembro passado, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, pai e fundador da JBS, voltou ao comando da empresa, com o apoio do BNDES, principal sócio do grupo, com 21,3% do negócio. Os netos de Zé Mineiro – Wesley Batista Filho e Aguinaldo Gomes Ramos – também passaram a integrar o conselho de administração da companhia. Joesley ficou seis meses preso e, seu irmão, cinco meses.

Bancos ouvidos pelo Estado afirmaram que vários investidores tentaram comprar a participação dos Batistas na JBS, mas os irmãos se negaram a vender a totalidade ou parte de suas ações, mesmo com forte prêmio oferecido pelos papéis. O foco desses investidores é comprar a fatia do BNDES.

No dia 18 deste mês, Joesley, Wesley e dois executivos que fizeram delação – Francisco de Assis e Ricardo Saud – serão ouvidos pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da defesa dos delatores. O ministro vai decidir se acata ou não a decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) de anular os efeitos das delações porque os donos da JBS teriam ocultado a suposta orientação prestada pelo ex-procurador Marcello Miller à J&F nas negociações, enquanto Miller ainda integrava o Ministério Público. Todos negam.

Prioridades redefinidas

Enquanto os controladores da JBS tentam manter de pé as delações fechadas com a Procuradoria-Geral da República, o comando da companhia voltou a fazer planos para retomar aquisições e abrir o capital da JBS nos Estados Unidos.

Depois de vender vários ativos para reduzir dívidas nos últimos 18 meses, a companhia voltou a analisar ativos para comprar, mas as aquisições, desta vez, serão complementares a suas linhas de negócios. A americana Pilgrim’s, controlada pela JBS, está entre as interessadas nos ativos da BRF na Europa e Tailândia. O executivo Guilherme Cavalcanti, diretor financeiro e relações com os investidores da Fibria, está sendo sondado pelo grupo para comandar o IPO da JBS nos EUA, segundo fontes.

Com faturamento de R$ 163,2 bilhões no ano passado, analistas de mercado projetam que a receita da JBS deve encerrar este ano em cerca de R$ 200 bilhões. No terceiro trimestre, o grupo registrou prejuízo líquido de R$ 133,5 milhões, ante lucro de R$ 323 entre julho e setembro do ano passado. As vendas no mesmo período subiram 20,1%, puxadas pela recuperação das operações no Brasil. Esse recuo refletiu efeitos cambiais e a adesão da JBS a um programa de incentivo fiscal. O mercado projetava resultado negativo de cerca de R$ 900 milhões.

Para Leandro Fontanesi, analista do Bradesco BBI, o bom desempenho operacional da JBS no Brasil e nos EUA, que respondem por mais de 50% das vendas do grupo, impulsionaram as ações da JBS. Não é caso da gigante BRF, dona da Sadia e Perdigão, que mudou a gestão em maio, com a chegada de Pedro Parente, mas ainda tem resultados operacionais ruins. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Imagens: R7 

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Goiás

Homem invade igreja em Aparecida de Goiânia e esfaqueia quatro pessoas

Ele se sentiu motivado após assistir um vídeo no qual "Deus amaldiçoava negros e carecas".
02/12/2018, 13h55

Um homem de 28 anos invadiu uma igreja no Setor Colina Azul, em Aparecida de Goiânia, e esfaqueou quatro fiéis. O crime ocorreu por volta das 10h30 deste domingo (2/12), e segundo testemunhas, o jovem entrou no local dizendo que todos iriam morrer. As vítimas, que têm 31, 33, 40 e 42 anos, estão em restado regular.

O homem foi preso no local e levado para o 1º Distrito Policial de Aparecida de Goiânia. De acordo com PMs que atenderam a ocorrência, o homem disse que cometeu o crime depois de assistir a um vídeo na internet, no qual “Deus amaldiçoava negros e carecas”.

Homem invade igreja em Aparecida de Goiânia

Tudo começou por volta das 10h30, enquanto fiéis estavam em um culto dominical, na Igreja Jesus Cristo dos Últimos Dias, no Setor Colina Azul. Testemunhas relataram que o homem, aparentemente trastornado, entrou no local dizendo que todos iriam morrer e logo atacou quem viu pela frente. Ele, usando duas facas, esfaqueou quatro pessoas, entre elas um homem que tentou conter a ação.

As vítimas têm 31, 33, 40 e 42 anos, e foram socorridas por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Um dos feridos foi levado ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e os outros três para o Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa). O quadro de saúde deles é considerado regular.

Preso ainda na igreja

O suspeito, que ainda não teve o nome divulgado, foi preso ainda na igreja, todo sujo se sangue. Ele foi encaminhado ao 1º Distrito Policial da cidade, onde seria registrada a ocorrência.

Durante a prisão, o homem contou aos policiais militares que cometeu o crime depois de assistir a um vídeo na internet, no qual “Deus amaldiçoava negros e carecas”. Ele, por se sentir ofendido por é um pouco careca, resolveu ir até a igreja e “esfaquear todo mundo”. Ainda não se sabe se o suspeito reside perto da igreja.

Imagens: Instagram 

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Trânsito

Capotamento mata motorista e deixa sete passageiros feridos, em Goiânia

Acidente ocorreu na madrugada deste domingo (2/12).
02/12/2018, 14h38

Capotamento de um carro de passeio mata motorista e deixa sete passageiros feridos, no Residencial Buena Vista I, em Goiânia. O acidente ocorreu na madrugada deste domingo (2/12), na Avenida Vicente Rodrigues. As vítimas têm de 14 a 32 anos de idade.

De acordo com a Delegacia de Crimes de Trânsito (Dict), Lucas Vitorino, de 19 anos, que dirigia o carro, perdeu o controle da direção, subiu na calçada e capotou sobre um monte de terra. O jovem morreu no local. Ainda não se sabe o que teria provocado o acidente.

Vítimas de capotamento em Goiânia

Além do motorista, outros sete rapazes estavam no veículo, sendo eles: dois menores, de 14 e 17 anos; Michael Douglas Ferreira dos Santos, de 18 anos; Anacleto Franco de Macedo Neto, de 32 anos; Sebastião Carlos Batista da Silva, de 23 anos; André Alves Pereira, de 22 anos; e Cleison Rodrigues Vitorino, também de 18 anos.

Todos sofreram ferimentos e foram encaminhados ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). O menor de 17 está na UTI em estado grave e Michael Douglas Ferreira dos Santos, de 18 anos, está na emergência, consciente e em estado considerado regular; os outros cinco passageiros já receberam alta.

A Dict, que apura as causas do acidente, informou que mais informações a respeito do ocorrido só serão repassada na segunda-feira (3/12). Neste domingo não há plantão na delegacia.

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Economia

Lojas da região 44 atendem em horários especiais em dezembro; confira

Neste mês, com as festas de fim de ano, a expectativa é movimentar cerca de R$ 1,2 bilhões.
02/12/2018, 15h49

Durante todo o mês de dezembro, as lojas da Região da 44, em Goiânia, atenderão em horários especiais. O objetivo dos comerciantes é aproveitar o fluxo de compradores no período, que deve aumentar pelo menos 22%. A fiscalização no comércio também será reforçada, principalmente sobre a ação de vendedores ambulantes irregulares.

Segundo o presidente da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), Jairo Gomes, até o dia 24 de dezembro, véspera de Natal, o movimento na região, que normalmente já movimenta em torno de R$ 600 milhões por mês, deve ser intenso. Cerca de 150 mil pessoas trabalham no local, e a expectativa é que 70 mil vagas temporárias sejam abertas.

Horários especiais na Região 44

Em todos os domingos do mês, a partir de hoje (2/12), as lojas estarão abertas das 7h às 13h. Aos sábados, o comércio atende até às 19h. Outra novidade é que em dezembro os estabelecimentos funcionarão também às segundas-feiras.

Veja a relação de horários e programe-se!

  • Segunda-feira a sábado – das 7h às 19h
  • Domingo – das 7h às 13h

De acordo com pesquisa da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Goiânia sobre intenção de compras para o Natal, as roupas estão entre os itens de maior preferência dos consumidores, o que aumenta a estimativa da AER44, que é movimentar R$ 1,2 bilhões neste mês.

Segurança na Região 44

Segundo a Prefeitura de Goiânia, em dezembro e janeiro, a Guarda Civil Metropolitana reforçará a segurança nos setores Central e Campinas, com a intenção de “fiscalizar as atividades urbanas, principalmente o comércio de ambulantes irregulares e passeios públicos, além de orientar a população que visita a região sobre os cuidados para evitar furtos e roubos, que nesta época aumentam.”

“Com a chegada do Natal e Ano Novo, a população vai às compras com um montante muito expressivo, geralmente, com o dinheiro do 13º salário e, pensando na segurança delas, a GCM planejou a estratégia de trabalho para estes meses”, reforça o comandante do Programa Goiânia+Segura, Luiz Paulo.

Imagens: iConnect 

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