Entretenimento

'Impuros' reflete sobre relações humanas da favela

28/10/2018, 07h36

Uma das principais estratégias usadas por traficantes é misturar amido de milho à cocaína, gerando um maior retorno financeiro. É a chamada droga impura, ou misturada. Ainda que este seja um dos elementos abordados na nova série da Fox, Impuros, não é pela mistura da cocaína com amido de milho que a produção foi batizada. Seu nome vem das impurezas das próprias relações humanas, sem maniqueísmos, que nunca conseguem ser completamente puras. Não há só bandidos, não há só mocinhos. Tudo, segundo os criadores, pode estar contaminado.

“Não existe apenas o bem ou o mal. Somos todos seres humanos, com suas fraquezas e seus problemas. A história é cíclica e esses opostos acabam sempre se encontrando”, diz o escritor e criador do argumento central da série, Alexandre Fraga. “É isso que nós queremos contar com Impuros. Pensamos em toda essa complexidade das pessoas, como isso vai além e como é preciso prestar atenção nessa ausência de mocinhos e bandidos. Às vezes, no final, a coisa mais pura de toda história pode ser a própria droga”, brinca o autor.

A história elaborada por Fraga e dirigida por René Sampaio e Tomás Portella se passa ao redor da vida em uma favela carioca nos anos 1990. O tráfico ali reina. As armas circulam, a cocaína é misturada. E no centro da trama está Evandro do Dendê (Raphael Logam), um jovem que leva uma vida comum até o assassinato de seu irmão por um policial. Sem chão e com uma dívida para honrar, ele decide entrar pro tráfico do morro e buscar vingança pela morte do irmão.

A partir daí, inicia-se uma briga de classes retratada outras vezes no cinema e na TV, tendo o ápice em Cidade de Deus, passando pelo sucesso de Tropa de Elite e chegando até a “americanização” em Trash. A diferença aqui, porém, está justamente no foco nas relações humanas, desenvolvidas ao longo dos 10 episódios. Evandro, por exemplo, logo engata um romance complicado com a MC Geisi (Lorena Comparato), que foge completamente dos estereótipos da “mulher da comunidade”. O rapaz também precisa lidar com o alcoolismo da mãe após a morte do irmão. Isso sem falar de um policial que possui conexões com o protagonista.

“O principal ponto da série não é a luta entre bandidos e policiais. É o drama humano por trás de cada personagem”, afirma o diretor René Sampaio, que dirigiu recentemente o filme Faroeste Caboclo. “É a série de ação para chorar”, complementa a atriz Lorena Comparato.

Poupança. Vale ressaltar que a série não é retratada nos anos 1990 apenas por nostalgia barata. Um dos personagens, responsável por toda contabilidade do tráfico no morro, acaba tendo o dinheiro da venda de cocaína retido no banco depois do Plano Collor, que confiscou dinheiro em poupanças em todo o Brasil após medida do então presidente Fernando Collor de Melo. Essa subtrama, que gera uma das histórias mais divertidas e inusitadas de Impuros, foi o ponto de partida de Alexandre Fraga durante a elaboração inicial de toda a história.

“Queria fazer um filme ou uma série sobre guerra às drogas. Logo depois, comecei a pensar no que as pessoas passaram durante o confisco da poupança, o que pode ter acarretado em suas vidas”, conta o escritor. “E aí me veio essa ideia inicial: imagina alguém que põe o dinheiro de traficantes no banco, sem avisar, e perde tudo? O que essa pessoa ia fazer? É uma situação complexa que eu queria contar e construir algo ainda maior ao redor disso.”

O diretor René Sampaio também ressalta como é importante, para o Brasil, olhar para o seu passado. “Ainda que a série esteja totalmente submersa nos anos 1990, a produção dialoga com os dias atuais”, compara. “É preciso fazer essa conexão com a História. Em Impuros, fazemos isso com o morro, com o tráfico, com a pessoa da periferia. E funciona muito bem.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Brasil

Casamento tira da Igreja mil padres por ano

A igreja perdeu mais de 60 mil sacerdotes nas últimas décadas porque deixaram a batina para casar.
28/10/2018, 08h36

O assunto não é novo. Mas voltou a ser lembrado esta semana entre as paredes do Vaticano, graças à intervenção do episcopado belga. Com mil “deserções” por ano para o casamento, não seria a hora de a Igreja Católica rever a ordenação de homens casados? O tema acabou não avançando, mas pode até ser retomado no ano que vem, quando haverá um sínodo específico sobre a Amazônia.

O tema, polêmico, foi lançado pelo auxiliar de Bruxelas, d. Jean Kockerols, a seus cerca de 300 colegas de episcopado que participaram até ontem do encontro voltado para discussão de vocações juvenis.

A diminuição do número de sacerdotes em todo o mundo é um dos fenômenos que mais afeta a Igreja Católica no mundo – há crescimento apenas na África e na Ásia. Indagado em várias ocasiões, o papa Francisco recordou que a proibição de ordenar padres não faz parte da doutrina inicial da Igreja – que permitiu o casamento até o século 11.

Uma investigação independente, apresentada no Vaticano em pleno Sínodo, aponta para a perda de 60 mil sacerdotes nas últimas décadas – pessoas que deixaram a batina para casar. O estudo corrobora outro levantamento, de 2007, que apontava para a perda de 69 mil padres, com essa motivação, entre 1964 e 2004. Em 2016, havia 414 mil sacerdotes católicos em todo o mundo. Segundo o vaticanista italiano Enzo Romeo, são mil abandonos por ano.

O tema pode voltar com força no ano que vem. Um documento preparatório para o Sínodo da Amazônia, publicado em junho, observou que “o clamor de milhares de comunidades privadas da Eucaristia” precisa ser ouvido. E sugere o ordenamento “viri probati” – de homens idosos, casados, mas com caráter e reconhecimento da comunidade (uma ideia que teria aval do papa Francisco, segundo jornais alemães). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Política

Temer: Governo de transição começa amanhã ou terça-feira

Michel Temer disse que o futuro presidente e equipe receberão todas as informações ainda nesta semana.
28/10/2018, 09h00

O presidente Michel Temer afirmou que o governo de transição começa amanhã (29) ou, mais tardar, terça-feira. Temer disse que, em todas as áreas do governo, o processo de transmissão da administração federal já está adiantado e que o futuro presidente e equipe receberão todas as informações ainda nesta semana.

Temer falou com a imprensa ao sair do colégio Santa Cruz, na zona Oeste da capital paulista, onde chegou para votar às 8h07. Ele estava acompanhando do ministro de Ciência e Tecnologia e presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Sobre o eventual apoio do MDB ao próximo governo, Temer afirmou que o partido ainda não discutiu essa possibilidade. O presidente também comentou os episódios de agressão entre militantes e apoiadores do PSL e do PT. Ele disse apenas que essa é um problema a ser tratado pelo Poder Judiciário e não pelo Executivo.

O presidente disse que espera que a eleição neste domingo (28/10) transcorra em clima de tranquilidade. Ele embarca ainda nesta manhã de volta a Brasília, onde acompanhará o processo e a revelação do resultado das urnas.

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Goiás

Em Divinópolis, três pessoas são presas distribuindo cópias de pesquisa falsa

Com o grupo, a PM encontrou além da falsa pesquisa, munições calibre 380.
28/10/2018, 12h25

Além das eleições presidenciais, a cidade goiana Davinópolis deve escolher o prefeito neste domingo (28/10), o que intensifica os ânimos dos eleitores. Três deles foram presos suspeitas de distribuírem cópias de uma pesquisa eleitoral falsa na madrugada de domingo na cidade.

Conforme a Polícia Militar, os três tentaram fugir quando viram os policiais. Eles ainda jogaram fora um saco plástico com o conteúdo, mesmo assim foi constato o crime.

Com o grupo, a PM encontrou além da falsa pesquisa, munições calibre 380. Segundo os policiais, os homens receberam dinheiro para distribuir a pesquisa que não tem registro no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Os três foram levados pela PM para a Central de Flagrantes de Catalão.

Depois de cassação de prefeito, nova eleição

Com 3,1 mil eleitores, o município de Davinópolis deve escolher um novo prefeito porque a chapa eleita em 2016 foi cassada por, segundo a polícia, captação ilícita de sufrágio.

Os eleitores também vão às urnas para escolher o próximo presidente da República, cujos candidatos, Fernando Haddad e Jair Messias Bolsonaro disputam o segundo turno da disputa. Concorrem ao pleito da prefeitura de Davinópolis, Diogo (MDB) e Wilker (PR).

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE),  além de Davinópolis, outras quatro cidades vão eleger o novo prefeito e vice: Divinópolis de Goiás, Planaltina, Serranópolis e Turvelândia também têm eleições municipais neste domingo.

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Brasil

Eleitores usam criatividade para manifestar voto

Simpatizantes mostram preferências sem infringir a lei.
28/10/2018, 13h07

Os eleitores dos candidatos à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), adotaram hoje (28) formas criativas, sem infringir a legislação eleitoral, para manifestar o voto neste segundo turno. Simpatizantes do petista, levaram livros para os postos de votação, enquanto os apoiadores do adversário foram vestidos de verde e amarelo.

Em frente ao condomínio onde mora Bolsonaro, no Rio de Janeiro, simpatizantes se revezam no local. Com bandeiras do Brasil, vestidos de verde e amarelo e alguns com a camisa da Seleção Brasileira de Futebol, os eleitores se mostram otimistas.

“A expectativa é a que ouvi das ruas ao longo dos últimos meses, a de vitória”, disse Bolsonaro dentro da seção durante a votação.

Ambulantes em frente à residência do candidato do PSL aproveitaram a oportunidade para colocar à venda camisas e bandeiras. O esquema de segurança na frente do condomínio permanece com grades, policiais militares, guardas municipais e homens de segurança privada.

Para a imprensa, foi organizada uma tenda em frente ao canteiro central da Avenida Lúcio Costa.

Outro lado dos eleitores

Simpatizantes de Haddad levaram livros às seções eleitorais. É uma alusão ao discurso do candidato, que durante a campanha, afirmou que o país “precisa de livros, não de armas” em contraposição ao adversário, que defende a liberação do porte. Adultos, jovens e crianças aderiram à “campanha”. O apelo foi feito também pelas redes sociais.

Em Indianópolis, em São Paulo, onde vota o candidato do PT, ele foi recebido por eleitores com rosas brancas e vermelhas e livros nas mãos. Haddad retribuiu, agradecendo, cumprimentando e fazendo o sinal da vitória ao lado da mulher Ana Estela.

Nas redes sociais, correligionários e celebridades postaram suas fotos a caminho da votação e os livros. Ontem (27), Haddad pediu que o eleitor votasse com um livro na mão. “Deixa o ódio pra lá. Urna é lugar de depositar esperança.”

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