Política

Raquel Dodge decide não denunciar Temer em inquérito sobre repasse da Odebrecht

25/09/2018, 22h20

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou nesta terça-feira (25) ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão do inquérito que investiga o presidente Michel Temer (MDB) e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia).

No relatório final do inquérito sobre repasses de R$ 10 milhões da Odebrecht para integrantes do MDB, a Polícia Federal concluiu pela existência de indícios de que o presidente cometeu crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O documento também indica a prática dos mesmos crimes pelos ministros.

O caso está relacionado com o jantar no Palácio do Jaburu, em 2014, e que foi detalhado nos acordos de delação de executivos da Odebrecht. Então vice-presidente, Temer teria participado do encontro em que os valores foram solicitados.

O principal argumento utilizado por Raquel Dodge para embasar o pedido ao ministro Edson Fachin, relator do inquérito no Supremo, foi a imunidade constitucional temporária à persecução penal que o presidente possui. A procuradora-geral lembrou em sua manifestação que a Constituição Federal proíbe que o presidente seja denunciado por atos anteriores ao mandato.

“A Constituição veda, portanto, a possibilidade de responsabilizar o Presidente da República e de promover ação penal por atos anteriores ao mandato e estranho ao exercício de suas funções, enquanto este durar”, escreveu Raquel Dodge, escolhida para o cargo de procuradora-geral da República por Michel Temer, em junho de 2017.

“Assim, deve-se aguardar o término do mandato presidencial para a formação da opinio delicti em relação aos fatos relacionados ao Senhor Presidente da República Michel Miguel Elias Temer Lulia.”

Em seu parecer, Raquel Dodge narra que, embora Eliseu Padilha e Moreira Franco não sejam parlamentares, são alcançados pela nova interpretação do foro privilegiado. Segundo ela, os dois desvincularam-se de seus cargos anteriores em 2015 e apenas retornaram ao cargo de ministros em 2016, em pastas diferentes daquelas relativas aos fatos investigados.

“Portanto, os eventos delituosos apurados neste inquérito ocorreram em momento que precede ao atual cargo ocupado e não há relação de causalidade entre os crimes investigados e o exercício do cargo atual. Diante disso, os fatos objeto deste Inquérito nº 4462 devem ser remetidos ao Juízo de 1ª instância com competência para processar e julgar os fatos narrados”, escreveu.

O ministro Edson Fachin, do STF, havia dado um prazo de 15 dias para que a procuradora-geral da República decidir se apresentaria ou não denúncia contra o presidente e seus ministros. Temer foi denunciado duas vezes pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot – uma por corrupção e outra por obstrução da Justiça e organização criminosa -, mas os casos foram barrados pela Câmara em 2017.

Relatório da PF. No caso do presidente, a PF mapeou a entrega de R$ 1,4 milhão para João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo do emedebista. Para sustentar a tese, a PF ouviu o doleiro Alvaro Novis, responsável pelas entregas, e anexou uma conversa em que o próprio Lima aparece em ligação para a empresa de Novis em dias das entrega dos valores.

“Pelo teor da conversa, resta inconteste que, ao ser informado sobre a chegada da encomenda, João Baptista Lima Filho informou que estava distante do local, solicitando que o horário fosse remarcado para as 15h, informação que acabou se refletindo nos diálogos mantidos via Skype”, diz trecho do relatório.

A ligação para a empresa do doleiro foi às 10h25 de 19 de março de 2014. Às 11h35, Lima ligou para um celular em nome de Temer e, às 11h37, o amigo de Temer recebeu outra ligação da empresa do doleiro responsável pelas entregas. Logo após esta conversa, às 11h51, Lima voltou a ligar para Temer com quem falou cerca de 5 minutos.

Defesas. Em nota, Brian Alves Prado, advogado de Michel Temer, informou que a manifestação da procuradora-geral da República “é natural, já que a Constituição Federal proíbe que o Presidente da República seja responsabilizado por fatos anteriores ao cargo”.

A defesa de Eliseu Padilha discordou da manifestação de Raquel Dodge de declinar competência por entender que os fatos narrados apontam eventual pedido de caixa 2 de campanha, “matéria essa afeita à Justiça Eleitoral, conforme pacífica posição do próprio STF no assunto. Tal ponto, entretanto, será debatido apenas nos autos”.

Para o advogado Antônio Sérgio de Moraes Pitombo, defensor de Moreira Franco, a “manifestação não traz fundamento que convença”. “Não consigo compreender qual ginástica hermenêutica autorizaria, agora, alterar a competência sem a ocorrência de fato novo”, avaliou Pitombo.

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Goiás

Polícia Federal deflagra mega operação em Goiás contra lavagem e desvio de dinheiro

As investigações estão sendo feitas com base em acordos de colaboração premiada e de leniência, celebrados no âmbito da Operação Lava Jato.

Por Ton Paulo
26/09/2018, 08h26

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (26/9), a Operação Trilho 5X, que tem como objetivo aprofundar as investigações do crime de lavagem de dinheiro ligado a pagamentos de propinas e a desvios de recursos públicos nas obras da ferrovia Norte-Sul.

De acordo com informações da assessoria da Polícia Federal, ao todo 150 policiais federais estão dando cumprimento a 35 mandados judiciais expedidos pela Justiça Federal de Goiás, sendo 33 mandados de busca e apreensão e dois mandados de sequestro de bens imóveis e semoventes, a serem cumpridos nas cidades goianas de Formosa, Mineiros, Goiânia e no Distrito Federal.

As investigações, que vêm sendo desenvolvidas desde o ano de 2012, são desdobramentos das Operações Trem Pagador, O Recebedor, Tabela Periódica e De Volta aos Trilhos e, nessas fases já deflagradas, ficou constatada a prática dos crimes de corrupção, desvios de recursos públicos, fraudes a licitações, dentre outros, havendo apontamento de valores desviados, em razão de sobrepreço ou superfaturamento nas obras, que atualizados chegam ao valor de meio bilhão de reais.

Com base em acordos de colaboração premiada e de leniência, celebrados no âmbito da Operação Lava Jato, foram apontadas pessoas e empresas que teriam sido usadas na geração de “caixa 2” para pagamento das propinas, com a celebração de contratos fictícios junto às construtoras para possibilitar pagamentos indevidos.

A atual fase operacional objetiva rastrear o destino dado aos valores pagos pelas empresas construtoras das obras da ferrovia Norte-Sul. O investigado principal vai ser indiciado pelo crime de lavagem de dinheiro, cuja pena pode chegar a 10 anos de reclusão.

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Economia

Confiança do comércio recua 1,2 ponto em setembro ante agosto, revela FGV

Confiança no comercio caiu em nove dos trezes segmentos pesquisados.
26/09/2018, 09h01

O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 1,2 ponto na passagem de agosto para setembro, a 88,7 pontos, o menor nível desde agosto de 2017, informou na manhã desta quarta-feira, 26, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em médias móveis trimestrais, o indicador recuou 0,3 ponto.

“A nova queda da confiança do Comércio em setembro parece refletir a incerteza em relação ao ritmo esperado para a economia nos últimos meses do ano. O Índice de Expectativas voltou a cair depois de esboçar uma melhora no mês anterior, sugerindo que os empresários ainda estão preocupados e incertos com o rumo da economia. Já o índice que mede as percepções sobre a situação atual, ficou estável após quatro meses em queda, confirmando o ritmo vagaroso da recuperação do setor”, avaliou Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio no Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

Em setembro, houve piora da confiança em nove dos 13 segmentos pesquisados. O Índice de Expectativas (IE-COM) caiu 2,4 pontos, para 92,2 pontos, influenciado pela queda de 4,8 pontos no componente que mede a tendência dos negócios nos seis meses seguintes.

Já o Índice de Situação Atual (ISA-COM) ficou estável em 85,7 pontos, após quatro meses de perdas consecutivas.

O item que avalia a percepção dos empresários com o volume da demanda no momento presente recuou 0,4 ponto, para 85,5 pontos, enquanto o componente que mede a situação atual dos negócios subiu 0,4 ponto, para 86,3 pontos.

Considerando a série trimestral com ajuste sazonal, a confiança do comércio registrou queda de 3,8 pontos no terceiro trimestre ante o segundo trimestre de 2018. No segundo trimestre ante o primeiro trimestre, houve recuo de 2,8 pontos.

Avaliação da queda na confiança do comércio

A sondagem não registrava dois trimestres consecutivos de quedas desde o fim de 2015.

“O recuo nos últimos dois trimestres teve influência da greve dos caminhoneiros, mas os últimos resultados sugerem que os empresários ainda não se recuperaram do baque e se tornaram menos confiantes na retomada do ritmo de crescimento vigente até a virada do ano”, apontou a FGV.

A coleta de dados para a edição de setembro da Sondagem do Comércio foi realizada entre os dias 3 e 24 do mês e obteve informações de 1.121 empresas.

Imagens: UOL 

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Goiás

Professor tenta beijar aluna de 14 anos à força dentro da sala de aula em Cidade Ocidental

Em um vídeo, é possível ver a menina correndo em pânico da sala de aula.

Por Ton Paulo
26/09/2018, 09h07

Um professor de Inglês de 32 anos vai ser indiciado por estupro depois de ter tentado beijar uma aluna de 14 anos à força dentro da sala de aula, em Cidade Ocidental, entorno de Brasília. Em um vídeo, é possível ver a aluna saindo correndo em pânico da sala de aula no momento do ocorrido.

De acordo com o delegado Daniel Marcelino, responsável pelas investigações do caso, o homem, que leciona a disciplina de Inglês na Escola Municipal Nova Friburgo, no setor Mansões Suleste, em Cidade Ocidental, mandou um recado para a vítima através de outra aluna, dizendo que queria conversar com ela.

Quando a jovem de 14 anos compareceu na sala, conforme solicitado pelo professor, ele avançou sobre ela e tentou beijá-la à força. Em pânico, a menina se desvencilhou e deixou o recinto correndo, momento que foi captado por um vídeo veiculado pela TV local.

Ainda segundo o delegado, a menina relatou que o professor já a havia assediado outras vezes. “Ela contou que ele a assediava de forma mais sutil, sempre tentando tocá-la de alguma forma”, conta.

A menina procurou a diretora da escola municipal e relatou o ocorrido, mas a gestora não teria contatado as autoridades. “Assim que soube do caso, a diretora notificou o professor e o liberou para ir pra casa, mas não chamou a polícia. Foram os pais da jovem que procuraram a delegacia para registrar o Boletim de Ocorrência”, revela.

O Dr. Daniel Marcelino ainda conta que a prisão em flagrante não pôde ser feita, uma vez que a polícia não foi acionada no momento do abuso, mas o inquérito que foi aberto já está em fase de conclusão, e o professor vai ser indiciado pelo crime de estupro.

A reportagem do Dia Online tentou contato com a direção da Escola Municipal Nova Friburgo, mas ela não quis se manifestar.

À uma TV local, a Secretaria Municipal de Educação de Cidade Ocidental informou que já tomou todas as medidas administrativas necessárias junto ao Ministério Público, à Polícia Civil e ao Conselho Tutelar.

Caso do beijo forçado em Cidade Ocidental já configura estupro

O delegado Daniel Marcelino explica que o fato de o professor ter tocado a adolescente sem seu consentimento já se enquadra no crime de estupro. “Além de a ter tocado sem a permissão dela, ele tentou beijá-la a força. As investigações já estão em fase de conclusão, e ele vai responder pelo crime de estupro”, conta.

Via: G1 
Imagens: G1 

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Política

Na sua 55ª fase, Lava Jato investiga corrupção em rodovias federais no Paraná

A Polícia Federal está cumprindo 73 mandados de busca e apreensão.
26/09/2018, 09h22

A Polícia Federal abriu nesta quarta-feira, 26, a Operação Integração, 55ª fase da Lava Jato. Em nota, a PF informa que a investigação mira em casos de corrupção ligados aos procedimentos de concessão de rodovias federais no Estado do Paraná que fazem parte do chamado Anel da Integração.

Os alvos das medidas são as seis concessionárias que administram o Anel de Integração do Paraná: Econorte, Ecovia, Ecocataratas, Rodonorte, Viapar e Caminhos do Paraná, além de intermediadores e agentes públicos corrompidos beneficiários de propinas.

Policiais federais, auditores da Receita Federal e membros do Ministério Público Federal participam da ação realizada simultaneamente nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo. Aproximadamente 400 servidores públicos participam das ações desta quarta-feira.

Estão sendo cumpridos 73 mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão preventiva e 16 mandados de prisão temporária.

Operação Lava Jato

A partir da deflagração da primeira fase da Operação Integração, com o avanço das investigação, a análise de todas as provas reunidas, os dados reunidos e acordos de colaboração premiada firmados por alguns investigados, foi possível identificar a existência de núcleos específicos e organizados que atuavam de forma criminosa para explorar e obter benefícios indevidos a partir dos contratos de concessão de rodovias federais no Paraná.

A PF identificou núcleos político (composto por altas autoridades do Governo do Paraná que agiam praticando atos de ofício em benefício das concessionárias e realizando influência política junto aos órgãos técnicos), técnico (agentes públicos com estreita ligação com as empresas contratadas, que atuavam na elaboração de aditivos contratuais fraudulentos, entre outras irregularidades) e empresarial (funcionários, diretores e presidentes das concessionárias que se organizavam para ratear o pagamento de propinas, propor aditivos com base em desequilíbrio econômico-financeiro fraudulento, entre outras irregularidades).

Os investigados responderão pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa, dentre outros.

Todos os presos na ação serão conduzidos à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde permanecerão à disposição do Juízo da 23ª Vara Federal.

Imagens: Estadão 

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