Política

Delator de Beto Richa diz que 'viu muita coisa que até Deus duvida'

17/09/2018, 13h40

O delator Antônio Celso Garcia, o Tony Garcia, que levou o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) para a cadeia, diz que “viu muita coisa que até Deus duvida”. Garcia revelou um esquema de propinas no Programa Patrulha do Campo, sobre manutenção de estradas rurais, entre 2012 e 2014, gestão do tucano.

“Nossa, até Deus duvida. Até Deus duvida. Isso é um fio do novelozinho”, afirmou o delator.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tony Garcia afirmou que supostas propinas e caixa 2 ao ex-governador vão a R$ 500 milhões.

Beto Richa foi preso em 11 de setembro, por ordem do juiz Fernando Fischer, da 13.ª Vara Criminal de Curitiba, que acolheu ofensiva do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, braço do Ministério Público do Estado.

O ex-governador ganhou liberdade por ordem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira, 14.

O tucano, sua mulher, Fernanda, seu irmão Pepe Richa e seu ex-chefe de gabinete Deonilson Roldo são alvo da Operação Radiopatrulha.

Richa também é investigado na Operação Lava Jato, que fez buscas em sua residência no mesmo dia da prisão.

A Lava Jato suspeita de ligação do ex-governador com recebimento de propinas da Odebrecht, que teria sido favorecida em contrato de duplicação da PR 323, no interior do Paraná.

Segundo a Lava Jato, empresários do grupo Odebrecht realizaram, no primeiro semestre de 2014, um acerto de subornos com Deonilson Roldo, para que este limitasse a concorrência da licitação para duplicação da PR-323, entre os municípios de Francisco Alves e Maringá, interior do Paraná. Em contrapartida, a Odebrecht pagaria R$ 4 milhões a Roldo e aliados.

A investigação aponta que a corrupção foi ajustada em três reuniões entre Roldo, apontado como braço direito de Richa, e representantes da empreiteira.

A Lava Jato identificou que, no final de janeiro de 2014, executivos da Odebrecht procuraram o então chefe de gabinete do governador e solicitaram ‘apoio’ para afastar eventuais concorrentes interessados na licitação da parceria público-privada (PPP) para exploração e duplicação da PR-323.

A Lava Jato relata que, em 14 de fevereiro de 2014, Deonilson Roldo teve uma terceira reunião com os executivos da Odebrecht. Nesse encontro, segundo os investigadores, as provas apontam que o então chefe de gabinete do ex-governador afirmou que tinha procurado as empresas CCR e Viapar, as quais indicaram que não participariam da licitação.Na ocasião, ele teria informado, ainda, que o Grupo Bertin tinha interesse na concorrência por intermédio da empresa Contern.

Em razão do interesse da Contern, em 24 de fevereiro de 2014, Deonilson Roldo chamou o executivo dessa empresa, Pedro Rache, para uma conversa no Palácio Iguaçu, de acordo com os investigadores.

No encontro, gravado por Rache, o então chefe de gabinete informou ao empresário que tinha “compromissos” com a Odebrecht e solicitou ostensivamente que a empresa Contern se afastasse do certame licitatório para obtenção do contrato da PR-323.

De acordo com a Lava Jato, no mesmo diálogo, Roldo, de forma direta, vinculou a desistência da licitação a interesses do Grupo Bertin, que controlava a Contern, na Copel, empresa de energia elétrica do estado do Paraná.

Além de revelações que levaram à deflagração da Operação Radiopatrulha, Tony fez denúncias ligadas à investigação da Lava Jato. O delator relata que foi ele quem emprestou o gravador para Pedro Rache registrar a conversa com Deonilson Roldo.

Tony confirma que o grupo Bertin queria participar da “concorrência dessa 323”. “A Odebrecht tinha feito a PPP e era para eles ganharem. E eles queriam participar e falaram isso para mim, que eles tinham condição de entrar e furar a Odebrecht, como eles tinham furado no Rodoanel em São Paulo, que eles podiam dar até 60 e poucos por cento de desconto no preço da Odebrecht”, narra.

Segundo o delator, pela proposta do grupo Bertin, “o pedágio que seria aqui de R$ 4,10 da Odebrecht, seria R$ 2,60 por eles”.

“Eu levei isso para o Beto: ‘Beto, a Bertin falou isso, isso e isso’. Ele falou: ‘Se eles botarem o pedágio nesse preço aí, eu estendo tapete vermelho para eles aqui’. Eu falei: ‘o que eles precisam? Eu preciso que você adie por 12, 15 dias a concorrência no máximo para eles terem condição de preparar tudo, documentação, carta de fiança, tudo, e participar. Isso é um ganho político para você enorme’. Ele me perguntou: ‘se eles ganharem, eles ajudam na campanha?’. Falei: ‘devem ajudar. Se você topar, depois eu falo com eles'”, relatou.

Tony afirma que Beto Richa “adiou a concorrência por 15 dias”. “Nesses 15 dias, o presidente da Contern, empresa do Grupo Bertin, Pedro Rache, que gravou o Deonilson, recebeu dez ligações do Deonilson. Ele estava entregando o Rodoanel lá. Ele me ligou e perguntou: ‘cara, que apito toca um tal de Denilson, aí de Curitiba?’. Eu falei: ‘Denilson ou Deonilson? Por quê?’. Ele disse: ‘esse cara está me ligando para eu ir aí, quer falar comigo’. Eu disse: ‘esse cara é o governador de fato, é o chefe de gabinete’. Ele falou: Puta, eu nem dei bola para ele. Vou para aí amanhã'”, contou. “Vieram aqui no meu escritório e ele falou que queria registrar a conversa. Eu emprestei um aparelho antigo que eu tinha, ele foi lá e gravou a conversa com o Deonilson. O Deonilson estava fazendo chantagem com ele. Ou ele saía da concorrência ou ele perderia o negócio da Copel. Tinha o compromisso com a Odebrecht.”

Ao deixar a cadeia na madrugada de sábado, 15, Beto Richa afirmou que vai retomar sua candidatura ao Senado nas eleições 2018 e que a prisão contra ele foi uma “crueldade”.

“O que fizeram comigo foi uma crueldade enorme, não merecia o que aconteceu, mas estou de cabeça erguida e continuo respondendo todas as acusações sem a menor dificuldade”, disse Richa. “Foram dias, não posso deixar de reconhecer, de extremo sofrimento, pra mim e pra toda minha família, e lamento que a palavra de um indivíduo, de um delator, cujo histórico de vida não demonstra nenhuma credibilidade, ao contrário, total falta de credibilidade. Aí eu pergunto: vale a palavra dele ou a minha palavra?”, declarou.

O tucano afirmou ainda. “Vou retomar minha campanha e nós podemos voltar a falar em outro momento. Vou dizer aqui com muita clareza: entrei nesse regimento como homem honrado e saio daqui como homem honrado.”

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Educação

Abertas inscrições para preenchimento de 8.075 vagas em Colégios Militares de Goiás

As inscrições podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, até o dia 1º de outubro, diretamente na unidade em que o candidato deseja estudar.
17/09/2018, 14h46

O Comando de Ensino Policial Militar (CEPM), responsável pelos Colégios Estaduais da Polícia Militar de Goiás, abriu nesta segunda-feira (17/9) o período de inscrições para o preenchimento de 8.075 vagas para 2019. As vagas estão distribuídas em 47 unidades, sendo seis localizadas em Goiânia e 41 no interior do estado.

As inscrições podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, diretamente na unidade em que o candidato deseja estudar. De acordo com o CEPM, os interessados podem se inscrever até o dia 19 de outubro deste ano. As vagas serão preenchidas pelo critério de sorteio.

Cada candidato pode se inscrever apenas uma vez, e é proibido realizar a inscrição em dois ou mais Colégios. Em caso de descumprimento da regra, o estudante está sujeito a ser desclassificado do sorteio.

Ainda segundo o CEPM, o sorteio das vagas ocorrerá no dia 1º de novembro, às 9h, na sede do CEPMG em que o candidato se inscreveu. A lista dos candidatos sorteados será divulgada logo após os sorteio, ficando afixada na Unidade e sítios eletrônicos para conhecimento dos interessados.

Quem pode se candidatar às vagas em Colégios Militares de Goiás

De acordo com o edital, para se inscrever, são exigidos os seguintes requisitos:

  • Ser brasileiro; se estrangeiro, estar com permanência regular no Brasil;
  • Fornecer cópia da certidão de nascimento ou carteira de identidade;
  • Fornecer cópia da carteira de identidade do responsável legal;
  • Declaração Escolar de que está cursando a série anterior à pretendida.

– Aos candidatos com idade de 14 a 16 anos que pleitearem vaga no turno noturno, apresentar comprovação (carteira de trabalho) de que trabalha no período diurno na condição de aprendiz, com carga horária superior a 4 horas diárias;

– Aos candidatos com idade de 16 a 18 anos que pleitearem vaga no turno noturno, apresentar comprovação documental de trabalho (carteira de trabalho), ou declaração subscrita pelo adolescente e seus pais ou responsáveis, em que conste ser trabalhador,devendo conter nome e endereço do empregador e horário de trabalho diurno;

– Para a inscrição no Programa do Novo Ensino Médio, o interessado deverá ter a idade mínima de 18 anos; o Novo Ensino Médio obedecerá às normas em vigor da Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (SEDUCE).

Imagens: Pirenópolis Online 

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Brasil

Toffoli diz que não irá pautar neste ano ação sobre aborto

Ministro diz que não irá pautar para este ano a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gestação.
17/09/2018, 15h38

O novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, informou nesta segunda-feira, 17, que não irá pautar para este ano a ação que trata da descriminalização do aborto até o terceiro mês de gestação. Toffoli ressaltou que cabe ao Congresso Nacional enfrentar este “tipo de tema”, considerado pelo ministro como “polêmico”. A questão está posta no STF através de uma ação apresentada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), relatada pela ministra Rosa Weber.

“Esse é um outro caso polêmico, eu já disse que casos polêmicos eu não vou pautar esse ano. A não ser que haja um consenso de todos os colegas para levar a julgamento. Ou seja, eu penso que dificilmente esse caso seja julgado este ano, até porque sequer está liberado para julgamento”, respondeu Toffoli.

Indagado sobre um cenário em que o Congresso “demore” a discutir a questão, o presidente reafirmou que o tema não deve ser examinado unicamente pela Suprema Corte. O ministro disse ter o mesmo entendimento sobre o julgamento que discute a descriminalização do porte de drogas para consumo próprio, que tem pedido de vista (mais tempo de análise) desde 2015.

O pedido de vista foi feito pelo ministro Teori Zavascki, morto em acidente aéreo no ano passado, e “herdado” pelo seu sucessor, ministro Alexandre de Moraes, que ainda não liberou o caso para julgamento.

Para Toffoli, é preciso debater as questões em conjunto com o Congresso, uma vez que são temas que demandam a implantação de políticas públicas.

“A partir do ano que vem, nós temos um Congresso que estará tomando posse em 1º de fevereiro de 2019. Eu penso, particularmente, que nós temos que deixar que o Congresso Nacional tome as iniciativas necessárias para enfrentar esses tipos de tema. Só devem ser trazidos ao Judiciário quando se identifica uma situação final de empate, de não se destravar, como era o caso da relação homoafetiva”, destacou. O ministro ainda considerou que a temática do aborto é ainda “mais complexa e delicada”.

Imagens: pleno.news 

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Brasil

Fnac fecha as portas na Avenida Paulista; só resta filial em Goiânia

Loja do Shopping Flamboyant é a última Fnac no país.
17/09/2018, 16h02

Há 14 meses, a Livraria Cultura anunciou que havia adquirido as operações da rede francesa de livrarias Fnac no Brasil – um movimento que causou estranheza, num primeiro momento, para o mercado editorial já que a própria Cultura vinha enfrentando uma séria crise financeira – uma crise que está longe de ter fim. Se devia dinheiro para seus fornecedores, como poderia fazer um negócio como esse, questionavam profissionais do setor.

À época, a Fnac tinha 12 lojas em 7 Estados.

Na realidade, a Cultura comprou a operação da Fnac, mas acabou recebendo dinheiro da empresa francesa para renegociar passivos – e retomar a rentabilidade das lojas ou acabar de vez com a presença da empresa no País. A segunda alternativa foi ficando evidente com o fechamento em cadeia das lojas da Fnac iniciado há alguns meses – a Fnac Pinheiros, sua primeira no Brasil, fechou em junho – e intensificado nos últimos dias com o encerramento das unidades do Shopping Morumbi, Campinas, Curitiba e Brasília.

No domingo, 16, quem passou pelo número 901 da Avenida Paulista viu as portas da loja fechada e o aviso de que a livraria continuava atendendo pelo seu site.

Com essa notícia, a Fnac está a um passo de sair de vez do Brasil. Agora só resta a loja do Shopping Flamboyant, em Goiânia – e não se sabe até quando.

Procurada para comentar o fechamento da loja da Paulista, o futuro da de Goiânia e seu próprio futuro, a Cultura respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que “não comentará nem divulgará dados das suas operações”. Disse ainda: “A Livraria Cultura segue o seu planejamento estratégico para os próximos anos: manter unidades com boa performance, procurando sempre melhorar a experiência do cliente em loja, e reforçar a presença em e-commerce”.

Imagens: revista estreia 

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Goiás

No 1º semestre do ano, mais de 1.300 corretores de imóveis em Goiás trabalharam sem vínculos de emprego formalizados

Segundo fiscalização, eles atuavam "sem proteção previdenciária e sem garantia do salário mínimo constitucional".
17/09/2018, 16h19

De acordo com fiscalizações realizadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho em grandes empresas imobiliárias no estado, no primeiro semestre do ano, mais de 1.300 corretores de imóveis em Goiás trabalharam sem vínculos de emprego formalizados.

Foi constatado durante as ações que as imobiliárias firmavam contratos de “Parceria” e de “Associação” com cada corretor, com possível colaboração recíproca, afirmando assim, que os corretores eram de fato autônomos, o que desde 2015, é permitido pela legislação.

Mas neste caso, a fiscalização constatou ainda que os corretores de imóveis em Goiás não tinham qualquer autonomia, sendo completamente subordinados às regras determinadas pelas empresas contratantes. Dentre essas regras, destacam-se: obrigatoriedade de comparecimento a plantões, a adoção de rígida estrutura hierárquica, processos seletivos, cobranças de metas, sistemas de controle. Quem não cumprisse as diretrizes, sofria punições.

No total, foram constatados que 1.358 corretores de imóveis trabalhavam de forma irregular junto ao Ministério do Trabalho. Eles atuavam sem reconhecimento dos direitos trabalhistas como férias, décimo terceiro e Fundo de Garantia, e apenas recebiam quando efetivamente vendiam algum imóvel. De acordo com Sharena Andrade Gomes, auditora fiscal do Trabalho, os corretores em questão trabalhavam ainda “sem proteção previdenciária e sem garantia do salário mínimo constitucional”.

Para as empresas, que não tiveram os nomes divulgados, foram emitidos autos de infração, o que dá, durante o trâmite processual, direito de resposta às imobiliárias. A auditora fiscal explica que esses autos de infração “podem acarretar respectivas multas”. “Emitimos [às imobiliárias], também, uma notificação para registro dos corretores de imóveis em Goiás. Caso não seja cumprida, será lavrado o respectivo auto de infração”, esclarece.

Fiscalização em Goiás

A ação da Auditoria-Fiscal do Trabalho foi fruto de um planejamento do grupo especializado em combate à informalidade. “Houve um minucioso estudo das leis concernentes ao trabalho dos corretores de imóveis e do mercado imobiliário em Goiânia”, conta Sharena.

Segundo a auditora fiscal do Trabalho, após a fiscalização, foram enviados relatórios da ação fiscal “à Receita Federal do Brasil, Ministério Público Federal e Secretaria de Finanças do Município para apuração de possível sonegação tributária, além de relatório ao Ministério Público do Trabalho para providências cabíveis.”

Imagens: Dinheiro Vivo 

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