23/fev/2018 16h02

“Não sou e não serei candidato à reeleição”, diz Temer em entrevista

“Eu não quero. Eu sou candidato a fazer um bom governo", disse o presidente.
reeleição - 23/fev/2018 16h02

O presidente Michel Temer afirmou nesta sexta-feira (23/2), que não será candidato à reeleição, e que o decreto de intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro não foi uma “jogada eleitoral” voltada a aumentar seu cacife para o pleito de outubro.

“Eu não sou candidato. A minha intenção de hoje vai alongar-se pelo tempo todo. Eu não serei candidato”, disse Temer em entrevista à Rádio Bandeirantes. “Eu não quero. Eu sou candidato a fazer um bom governo.”

Desde que assumiu o governo, Temer tem afirmado que não disputará as eleições presidenciais de outubro, mas que o governo terá um candidato para defender o seu legado. Segundo o presidente, a decisão sobre quem será esse candidato será tomada no fim de maio ou início de junho.

Auxiliares próximos do presidente, no entanto, tem cogitado a hipótese de o próprio Temer ser candidato, apesar da baixa popularidade e das intenções de voto em torno de apenas 1 por cento na pesquisas. O cálculo é que Temer passaria a ser viável como candidato se sua popularidade chegar a 15 por cento e sua rejeição cair a 60 por cento, dos atuais 70 por cento, até abril.

As conversas sobre uma possível candidatura de Temer ganharam ainda mais fôlego após a decretação da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, que enterrou a impopular discussão sobre a reforma da Previdência e colocou o combate à violência no topo da agenda do governo.

Temer garantiu, no entanto, que a medida não teve qualquer motivação política. “É uma jogada de mestre, mas não é eleitoral. Você sabe que não tem nada de eleitoral nessa questão”, disse, quando questionado se a intervenção seria uma “jogada eleitoral de mestre”.

Apesar da negativa de Temer, o ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo, defendeu, em entrevista à revista Veja divulgada nesta sexta-feira, como “necessária” uma candidatura de Temer.

“Ele continua a dizer que não quer, mas o fato é que, como não aprovamos a reforma da Previdência, o nosso trabalho ficou incompleto”, disse o ministro, que na quinta-feira já havia afirmado que Temer não é candidato “nesse momento” porque não quer.

Na última terça-feira (20/2), o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, já havia levantado a hipótese de o presidente ser candidato à reeleição para defender as reformas implantadas por seu governo, e também nesta semana o marqueteiro do governo, Elsinho Mouco, afirmou, em declarações publicadas em coluna do jornal O Globo, que “Temer já é candidato”.

Mais tarde, em nota, o marqueteiro explicou que as declarações eram opiniões particulares, e que ele não tem alçada para “falar em nome do governo”.

Em resposta a diversas declarações de que o presidente decidiu decretar intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro de olho nas eleições de outubro, inclusive por parte do ex-presidente e pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, afirmou na quarta-feira que a “agenda eleitoral não é, nem nunca será, causa das ações” de Temer.

Na entrevista à Rádio Bandeirantes, o presidente afirmou ainda que não será candidato a outro cargo para manter o foro privilegiado, uma vez que é alvo de denúncias de corrupção, afirmando não ter nenhuma preocupação com as acusações “pífias” contra ele.

Fonte: Agência Reuters