14/maio/2018 09h05

Sem respostas, assassinato de Marielle Franco completa dois meses

Até agora, nem a motivação para o crime, nem seus autores, foram identificados pela polícia.
assassinato marielle franco - 14/maio/2018 09h05

Há exatamente dois meses, a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Até agora, nem a motivação para o crime, nem seus autores, foram identificados pela polícia, mas o cerco investigativo vem se fechando.

Marielle foi morta com quatro tiros na cabeça, quando voltava de um debate na Lapa. Ela, Anderson e sua assessora, que sobreviveu, iam em direção à Tijuca, na zona norte, quando, no caminho, um Cobalt prata clonado emparelhou com seu carro e disparou.

Nos últimos dias foram dados passos importantes na investigação do crime. Uma reportagem do jornal O Globo revelou que uma testemunha procurou a polícia para contar que o vereador carioca Marcello Siciliano (PHS) e Orlando Oliveira de Araújo (um ex-PM acusado de chefiar milícias na Zona Oeste) queriam a morte da vereadora. Ambos estão entre os investigados pelo assassinato, confirmou o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, na última quinta-feira (10/5).

A testemunha disse que foi obrigado a trabalhar como segurança de Orlando, depois que o miliciano tomou o controle da comunidade onde o delator trabalhava. Por isso, esteve presente em pelo menos quatro conversas entre o ex-policial e Siciliano, que, segundo a testemunha, teriam negócios em conjunto na Zona Oeste, reduto eleitoral do vereador e onde Orlando chefia milícias.

Ainda segundo a testemunha, dois policiais militares participaram do crime e estariam dentro do Cobalt usado na execução, na companhia de mais dois homens. Segundo O Globo, policiais civis e promotores do Ministério Público estadual estão negociando um acordo de delação premiada com Orlando, que está preso desde outubro do ano passado sob acusação de chefiar milícias. De acordo com o jornal, o ex-PM será levado nesta semana até a Divisão de Homicídios para conversar com os investigadores.

Segundo o ministro da Segurança, Raul Jungmann, o caso “está chegando a sua etapa final”, mas ainda sobram perguntas a serem respondidas. O fato de as câmeras no trajeto percorrido pelo carro de Marielle estarem desligadas ainda não foi esclarecido pela prefeitura, por exemplo.

Também não se sabe o porquê de, logo após o crime, os policiais ordenaram às pessoas que estavam na região deixarem o local e voltarem para suas casas. Até agora, esses policiais não foram chamados para explicar seu comportamento.

Anistia Internacional

Após dois meses dos assassinatos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a Anistia Internacional afirmou que, cada dia que se passa sem respostas sobre o caso, aumenta as dúvidas sobre a eficácia da investigação. Em nota publicada ontem (13/5), a diretora executiva da instituição no Brasil, Jurema Werneck, reforçou que as perguntas quem matou Marielle e Anderson e quem mandou matar não podem ficar sem respostas.

O comunicado traz também declarações da família de Marielle. A mãe da vereadora, Marinete Silva, agradece os esforços feitos até o momento na investigação, considerada séria, e destaca também a necessidade de continuar a cobrança por justiça.

Segundo a nota, a irmã de Marielle, Anielle Silva, também reafirma o compromisso de lutar pelo esclarecimento do assassinato. ”Enquanto tivermos forças exigiremos Justiça, e o faremos nas ruas e nos espaços públicos. A minha irmã era da resistência e é assim que nós seremos até o fim”.

Na tarde de hoje (14/5), está programado um ato, para as 16h, nas escadarias da Câmara dos Vereadores. A manifestação é organizada pelo PSOL, partido da vereadora, em lembrança dos 60 dias do assassinato. Uma faixa será estendida para que os participantes escreverem ensagens em memória de Marielle e Anderson.

Fonte: Exame.com