11/maio/2018 18h05

Sonho interrompido: seis jogadores que foram cortados próximo à Copa do Mundo

O Dia Online listou seis jogadores que sofreram com lesões e acabaram incapacitados de participar da Copa do Mundo.
Copa do Mundo - 11/maio/2018 18h05

Três dias antes da convocação final para a Copa do Mundo, a seleção brasileira, comandada por Tite, sofreu um grande baque. O lateral direito, titular da campanha, e único jogador com a braçadeira de capitão em duas partidas diferentes, Daniel Alves está fora da maior competição de futebol do mundo. O jogador irá passar por uma cirurgia e deve ficar ao menos seis meses fora dos gramados. Entretanto, o Brasil não pode se mostrar surpreso com a lesão de algum “convocável” para a Copa, já que esse não foi o primeiro caso.

O Dia Online listou seis jogadores que sofreram com lesões e acabaram incapacitados de participar da Copa do Mundo. O primeiro nome da lista, é também o mais recente e já citado na matéria.

Daniel Alves – 2018

O lateral direito de Tite e do Paris Saint Germain, sofreu uma lesão no joelho direito, mais especificadamente uma desinserção no ligamento cruzado anterior do joelho direito. O jogador irá passar por uma cirurgia e segundo o médico da seleção brasileira, Rodrigo Lasmar, ele deve ficar fora dos gramados por cerca de seis meses.

A lesão do jogador originou em um lance na partida contra o Les Herbiers na final da Copa da França, na última terça-feira (8/5). O atleta que pouco depois apareceu caminhando com pouca dificuldade, até participou da comemoração do título da equipe parisiense.

“O Daniel, após ser avaliado com exames clínicos e de imagem, constatamos a lesão no ligamento cruzado anterior. É uma lesão que determina tratamento cirúrgico que vai acontecer em um momento quando o joelho permitir. Num primeiro momento o joelho fica inchado e precisamos esfriar o joelho. Ou seja, recuperar a movimentação e tirar a dor para que a cirurgia aconteça num momento adequado. Provavelmente será aqui em Paris pelo PSG. Mas data será definida pelo jogador e pelo clube”, explicou o médico da seleção, Rodrigo Lasmar.

O jogador que é reconhecido pelo bom humor e declarações às vezes nada humilde, participou das duas últimas Copa, em 2010 na África do Sul e em 2014, no Brasil.

Edmilson (2006)

O polivalente, autor de um dos mais belos gols do Brasil na história da Copa do Mundo, Edmilson foi a vítima da vez em 2006. O zagueiro/volante sofreu uma lesão no menisco lateral do joelho direito, e acabou sendo cortado no final de maio, onde foi substituído por Mineiro, que atuava no São Paulo.

“Há dois dias o Edmílson teve uma dor no joelho direito, que estava inchado. Então fizemos tratamento e o problema evoluiu bem. Mas no jogo contra o Lucerna, nesta terça-feira, ele tentou chutar a bola e o joelho voltou a incomodar na hora”, afirmou o médico da seleção José Luiz Runco.

O possível causador da lesão foi um material muito conhecido do jogador, a própria chuteira. Segundo Joaquim Grava, na época médico do Santos, o uso de chuteiras inadequadas pode causar cerca de metade das lesões de menisco lateral no joelho.

Edmilson era atual campeão do mundo e seria mais um da lista que atuaria em uma segunda Copa do Mundo consecutiva. O jogador acumulava um histórico de lesão no joelho, assim como aconteceu na temporada 2004-05, semanas depois de trocar o Lyon pelo Barcelona, Edmílson sofreu uma ruptura do ligamento cruzado do joelho direito em partida contra o Numancia pelo Campeonato Espanhol. Com o menisco e os ligamentos cruzados do joelho direito comprometidos, o volante passou seis meses afastado do futebol.

Emerson (2002)

Talvez o corte mais “besta” da lista. O até então volante da Roma, perdeu a convocação da Copa do Mundo por conta de um rachão. O jogador que era o capitão de Luiz Felipe Scolari, decidiu brincar no gol durante o famoso “rachão”. Ao cair de mau jeito sobre o ombro, o atleta acabou sendo cortado da lista e em seu lugar foi chamado o Ricardinho, que atuava no Corinthians.

Entretanto, existe outra peculiaridade sobre o jogador. Emerson foi convocado em 1998 para a Copa do Mundo, devido a lesão de Romário, e quatro anos depois ele viveu o outro lado da moeda. Emerson foi cortado um dia antes da estreia na Copa do Mundo de 2002, contra a Turquia.

Juninho Paulista (1998)

Lance de jogo, brincadeira em treino, lesões previas, talvez nenhum dos casos, tenha sido tão violento quando o de Juninho Paulista. O corte se tratou exclusivamente devido a entrada de Michel Salgado, jogador do Celta de Vigo, enquanto Juninho defendia as cores do Atlético de Madrid.

O resultado da entrada (que você pode conferir abaixo), foi duro: quebrou o tornozelo do brasileiro. A lesão aconteceu em fevereiro de 1998, e a lista final de Zagallo seria em maio do mesmo ano. O jogador vivia um de seus melhores momentos da carreira e provavelmente estaria entre os convocados.

“Na hora eu senti uma dor muito forte, mas achei que era algo simples. Quando foi constatado que tinha quebrado, tinha fraturado a fíbula, eu fiquei desesperado, principalmente quando o médico no primeiro momento me deu o tempo de recuperação que ele falou em 5 meses, e naquele momento era 1 de fevereiro, e a convocação iria acontecer em Maio. Chorei muito, a decepção foi muito grande, mas comecei a me recuperar. Comecei a ter esperança de novo. Consegui fazer dois jogos pelo Atlético de Madrid antes da convocação e tinha a convicção que estava recuperado. Foi então que saiu a lista e meu nome não estava. Esse acabou sendo o momento mais decepcionante”, disse Juninho, em entrevista ao LANCE!net.

Juninho ainda ressaltou que não guardou magoas do jogador, entretanto, admitiu a decepção pelo carrinho desnecessário.

“Eu não guardo mágoas. Ele tomou uma atitude que não deveria ter tomado. Não o conhecia. Ele teve todo o cuidado depois, queria ir no hospital me pedir desculpas, foi no vestiário falar que não tinha a intenção, mas é complicado. A maneira que foi essa jogada, a bola estava na frente, ele não visou a bola, visou exatamente a minha perna. É claro que ele não foi pra quebrar, mas foi para me derrubar”, ressaltou.

Romário (1998)

Entre os nomes, o mais importante para a história do futebol. O baixinho que era atacante do Flamengo na época, sofreu uma lesão na panturrilha. Apesar de garantir que conseguiria jogar o mundial, ele acabou sendo substituído na lista por Emerson.

Em recente entrevista ao canal “Desimpedidos”, o atacante ressaltou que conseguiria atuar na Copa do Mundo. Segundo o jogador, ele atuou um dia após uma partida do Brasil nas oitavas de final da Copa, pelo Flamengo.

“Infelizmente, na cabeça da comissão técnica, não tiveram essa paciência. Eles não devem ter confiado na minha recuperação”, disse Romário na época da lesão.

O jogador ficou sabendo do corte no dia 1 de junho – a abertura da Copa aconteceu no dia 10 -, às 23h30 no hotel em que a seleção brasileira estava hospedada. Após o corte, o atacante disparou contra a decisão do treinador Zagallo e o coordenador Zico – que ele já se entendeu após alguns anos -.

Ricardo Rocha (1994)

De todas as histórias, a de Ricardo Rocha é a diferente. O jogador foi convocado e atuou na primeira partida, no dia 20 de junho, na vitória do Brasil por 2 a 0 sobre a Rússia – gols de Romário e Raí -. Entretanto, durante o jogo, o zagueiro se lesionou e o então treinador, Carlos Alberto Parreira decidiu não cortar o jogador e o motivo era simples, a liderança que o jogador tinha.

“Todo jogador de futebol que sofre uma lesão sabe se está fora ou não. A recuperação de um estiramento como o meu leva 15 dias. É quase uma Copa. Eu sabia que dificilmente voltaria, pois não haveria como mudar o time que estava jogando junto”, destacou Ricardo Rocha, em uma entrevista em 2014.

O jogador chegou a ficar no banco de reservas na final.

Por: Felipe André