11/abr/2018 15h04

Quatro governadores citados na Lava Jato que disputam as eleições de 2018

Marconi Perillo foi denunciado pela Procuradoria Geral da República em março de 2017, acusado de corrupção passiva.
lava jato - 11/abr/2018 15h04

Veja os quatro governadores citados ou denunciados pela Operação Lava Jato que renunciaram ao cargo para disputarem a eleição de 2018 e perderam o foro privilegiado. Com a perda, eles podem ter seus processos enviados à primeira instância.

Trata-se do governador de Goiás, Marconi Perilo; do Paraná, Beto Richa; e de São Paulo, Geraldo Alckmin, todos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). E também Raimundo Colombo, governador de Santa Catarina pelo Partido Social Democrático (PSD).

Devido a perda do foro privilegiado os casos podem ser enviados a juízos de primeira instância, como a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, onde atua o juiz Sérgio Moro, responsável por grande parte das condenações na Lava Jato.

Lei da Ficha Limpa

Mesmo que algum ex-governador seja condenado em primeira instância, ele continua apto a participar da disputa, uma vez que a Lei da Ficha Limpa exige condenação em segundo grau para barrar a candidatura.

Confira os casos dos ex-governadores que perderam o foro privilegiado e poderiam ter seus casos enviados à primeira instância:

Marconi Perillo (PSDB-GO)

Foto: Mantovani Fernandes

Ele foi denunciado pela Procuradoria Geral da República em março de 2017, acusado de corrupção passiva.

De acordo com a denúncia, Marconi recorreu ao empresário Fernando Cavendish e ao contraventor Carlinhos Cachoeira para pagar uma dívida de R$ 90 mil com o marqueteiro Luiz Carlos Bodoni.

Em troca, Marconi aumentou entre 2011 e 2012 os valores de contratos entre o governo goiano e a empreiteira Delta, então presidida por Cavendish, como mostrou a denúncia.

O ex-governador goiano diz que a denúncia jamais foi comprovada. Marconi deixou o governo para concorrer ao Senado.

Beto Richa (PSDB-PR)

Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Fotoarena

Beto Richa foi citado na delação da Odebrecht, quando um executivo disse que ele teria recebido R$ 2,5 milhões via caixa dois na campanha de 2014.

O seu inquérito tramitava em primeira instância quando foi suspenso pelo STF em 2018. A corte avaliou que, como Richa tinha foro privilegiado, o caso deveria tramitar no STJ.

Com a perda do foro, os promotores poderão retomar o caso. A exemplo de Marconi Perillo, Richa deixou o governo paranaense para concorrer ao Senado.

Geraldo Alckmin (PSDB-SP)

Foto: Agência Diário do Nordeste

Alckmin foi citado em delações de executivos da Odebrecht, que dizem ter repassado R$ 10,3 milhões às campanhas do tucano em 2010 e 2014 por meio de caixa dois. Os recursos teriam sido entregues ao cunhado de Alckmin, Adhemar César Ribeiro.

Na última sexta-feira (6/4), em outro desdobramento da Lava Jato, a Justiça Federal em São Paulo ordenou a prisão do ex-diretor da Dersa (estatal de desenvolvimento rodoviário) Paulo Vieira de Souza, nomeado por Alckmin em 2005.

Paulo Preto, como é conhecido, é acusado de desviar R$ 7,7 milhões da estatal entre 2009 e 2011. Alckmin diz desconhecer Paulo Preto e nega ter recebido caixa dois em campanhas.

Alckmin deixou o governo de São Paulo para concorrer à Presidência.

Raimundo Colombo (PSD-SC)

Foto: Reprodução/DN

Foi denunciado pela Procuradoria Geral da República em março, acusado de receber R$ 2 mi da Odebrecht via caixa dois na campanha de 2014 em troca de vantagens à empreiteira.

A denúncia se baseia em delações de executivos da empresa. O ex-governador também era investigado pelo crime de corrupção, mas a acusação foi arquivada.

Raimundo deixou o governo catarinense para concorrer ao Senado.

* Com informações da BBC Brasil

Por: Jefferson Santos