08/abr/2018 14h04

Ataque químico na Síria mata 42 pessoas e preocupa ONU

Um ataque com gás venenoso ontem (7/4) na cidade de Duma, próxima à capital da Síria, Damasco, deixou 42 mortos, de acordo com a ONG Defesa Civil Síria.
ataque - 08/abr/2018 14h04

Um ataque com gás venenoso ontem (7/4) na cidade de Duma, próxima à capital da Síria, Damasco, deixou 42 mortos, de acordo com a ONG Defesa Civil Síria.

O acontecimento se deu em meio a uma nova ofensiva das forças do governo após o fim de uma trégua com o grupo rebelde Exército do Islã. O governo nega a autoria do ataque.

Em comunicado conjunto, a Defesa Civil Síria e a Sociedade Médica Síria Americana disseram que mais de 500 pessoas, a maioria mulheres e crianças, foram levadas a centros médicos com dificuldade de respirar, espumando pela boca e olhos ardendo.

Os pacientes teriam descrito um cheiro semelhante a cloro. Alguns tinham a pele azulada, em sinal de privação de oxigênio. Os sintomas seriam consistentes com exposição química.

Lideranças internacionais condenaram o ataque. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em sua conta no Twitter que o presidente russo, Vladimir Putin, a Rússia e o Irã são responsáveis por apoiar o regime de Bashar al-Assad. “Outro desastre humanitário por razão nenhuma”, escreveu. O conselheiro de segurança da Casa Branca, Thomas Bossert, disse que não descarta opções em resposta ao ataque.

A Turquia, que critica o regime de Bashar al-Assad desde o início da guerra civil, disse que o governo “ignorou mais uma vez” os acordos internacionais de banimento de armas químicas.Aliada a Assad, a Rússia negou que as forças sírias tenham usado armas químicas no ataque.

Preocupação da ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou hoje (8/4) a preocupação com a situação dos civis na cidade síria de Duma, em Ghouta Oriental, e se mostrou “particularmente alarmado” pelo suposto ataque químico que deixou mais de 40 mortos.

Após a “renovada e intensa violência” em Duma nas últimas 36 horas, Guterres pediu para que “todas as partes cessem os combates e restaurem a calma que havia”, já que “não há solução militar ao conflito”, acrescenta comunicado do porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric.

A ONU se baseia em relatórios que falam de ataques aéreos e fogo de artilharia em Duma, o último reduto rebelde de Ghouta Oriental, nos quais morreram civis, edifícios foram destruídos e vários centros de saúde ficaram danificados.

A Defesa Civil síria e ONGs denunciaram que as forças leais ao presidente foram responsáveis pelo ataque em Duma.

Guterres reiterou que, se for confirmado o uso de armas químicas no ataque, trata-se de um ato “abominável” que requereria uma “exaustiva investigação”. Tanto as autoridades sírias como a Rússia negaram de maneira contundente o uso de armas químicas nos bombardeios de Duma e nenhuma outra fonte independente a confirmou.

Guterres considerou “crucial” que as partes do conflito protejam os civis em cumprimento às leis humanitárias internacionais e de direitos humanos, assim como às resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU.

Fonte: Agência Brasil