12/jan/2018 16h01

Mães reclamam da falta de vagas em Cmeis de Goiânia

Conselho Tutelar dará apoio na busca por vagas. Elas protestam contra a demora, erro no sistema de matrícula e vagas prioritárias.

CMEIS - 12/jan/2018 16h01

O período para pré-matrículas em Cmeis da capital abriu na última terça-feira (9/1), com mais de 8 mil vagas. Mas mesmo com esses números, muitas mães não conseguem matricular seus filhos, principalmente nas unidades da região noroeste de Goiânia.

Algumas crianças esperam há mais de um ano por uma vaga. As mães reclamam também que agora, com o Número de Inscrição Social (NIS), as famílias beneficiárias do programa Bolsa Família terão prioridade na solicitação de vagas.

A manicure Gessica Santos Paulino tenta matricular o filho, de dois anos e seis meses, desde o fim do ano de 2016.  De acordo com ela, os funcionários do Cmeis dizem que a única forma é aguardar contato quando surgir uma vaga.

“Eu preciso de um lugar para colocar meu filho. É muito complicando para nós. Eu preciso trabalhar, e ainda mais agora que eles pediram uma atualização no cadastro com o número do Bolsa Família, eu não concordo com isso, e quem precisa da vaga e não recebe esse benefício? Como que fica?”, desabafa.

De acordo com o presidente do Conselho Tutelar da região Noroeste, Darlan Ferreira Paulino, Gessica e muitas outras mães buscaram ajuda no conselho tutelar da região para conseguirem realizar a matrícula das crianças, e garante que o conselho dará total apoio na busca por vagas.

“A lei é clara. É dever do Estado, pois dentro das políticas públicas tem que ter unidades suficientes para atender a demanda. O que acontece é que a administração pública não constrói cmei e a população infantil só aumenta e aí vira esse caos”, declara Darlan.

Com a demora na espera por vagas, a vendedora Jessica Caroline Monteiro de Amaral precisou sair do emprego para ficar com os dois filhos, um de dois anos e outro de seis.”Faz um ano que eu tento matricular os meninos. Eu precisei sair do emprego para ficar com meus filhos porque não tenho condições de pagar creche e escola particular. Nós precisamos de ajuda” conclui.

O presidente do Conselho acredita que o critério seleção a partir de programas sociais como o Bolsa Família é arbitrária.

“Na plataforma do Ministério da Educação (MEC),  existem metas a serem cumpridas, e dentro dessas metas eles falam sobre as famílias que recebem os benefícios. Elas precisam ser atendidas em todas as esferas públicas, mas não devem ser interpretadas como critério de prioridade, isso porque a lei fala que é direito de todas a criança de zero a cinco anos ter acesso a creches e cmeis. É direito de todas as crianças e tem que ser igual. Então quando esse direito é violado o conselho tutelar, como órgão de defesa, registra uma ocorrência e encaminha ao judiciário, onde é aberto um processo com um mandato de segurança. É o que iremos fazer”, conclui Darlan.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME) informou que foi realizada a implementação de um mecanismo de controle de acesso ao sistema de matrículas online da rede educacional, com o objetivo de evitar a sobrecarga, lentidão e paralisação da plataforma.

Nas primeiras horas de liberação do sistema, a concorrência se dá em maior número, motivo pelo qual houve dificuldades em alguns acessos, mas que a plataforma foi aprimorada e que outros ajustes para melhoria do sistema foram solicitados e já estão disponíveis aos usuários.

Em relação à quantidade de vagas, a SME disse que somente após o término do período de confirmação de matrículas, que é do dia 17/01 ao dia 21/01, será feita uma análise da demanda deste ano e as vagas que não forem ocupadas ficarão disponíveis no sistema.

Por: Thyélen Lorruama