09/jan/2018 08h01

Transplantes de órgãos e tecidos em Goiás avançam 33% em dois anos

O avanço no número de transplantes e de doações de órgãos começou a ser verificado em 2015.

mil pessoas na fila - 09/jan/2018 08h01

A Secretaria da Saúde de Goiás (SES-GO) deu um salto qualitativo em favor das pessoas que precisam de transplantes de órgãos e tecidos.

Em 2017, a quantidade de doações e de transplantes realizados avançou de forma expressiva no Estado.

Na avaliação do secretário Leonardo Vilela, este aumento é resultado das campanhas de sensibilização sobre o assunto e da atualização continuada das equipes dos hospitais públicos, particulares e filantrópicos, responsáveis pelos procedimentos.

De acordo com os dados da Central Estadual de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos da SES-GO (Central de Transplantes), em 2017 foram realizadas captações de órgãos em 71 pessoas com diagnóstico de morte cerebral.

No mesmo período foram feitos 1.264 transplantes de órgãos e tecidos, incluindo as realizadas por meio de doações de pessoas vivas. “Estamos colhendo os frutos de um trabalho sistemático, de informação e de conscientização de toda a população sobre a importância da doação de órgãos”, pontua Leonardo Vilela.

O avanço no número de transplantes e de doações de órgãos começou a ser verificado em 2015. Naquele ano, conforme os dados da Central de Transplantes, foram feitas captações de órgãos em 46 pessoas.

Em 2016, a quantidade desse tipo de procedimento passou para 48 e no ano passado, foram efetivadas doações de órgãos de 71 pessoas. Isso significa que em apenas um ano houve um acréscimo de 48% na quantidade de doadores. Já a quantidade de transplantes passou de 949, em 2015, para 1.007, em 2016, até atingir os 1.264 no ano passado. Na prática, os registros demonstram que os transplantes avançaram 33% nos últimos dois anos.

O trabalho incessante da Central de Transplantes em parceria com as Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes é o responsável por essa melhora do número de doações efetivadas.

“O melhor acolhimento das famílias, a maior atenção dispensada em seus ceticismos e anseios e o constante esclarecimento de dúvidas sobre o que é doação e o que é transplante tornam as atividades mais transparentes e trazem à sociedade o retorno das ações altruístas de algumas famílias”, diz o gerente da Central de Transplantes, Fernando Augusto Ataíde Castro.

São mais de mil pessoas à espera de um órgão ou tecido em Goiás e mais de 40.000 em todo o Brasil.

Córneas

Apesar de o número de novas inscrições mensais permanecerem na mesma média, a Central de Transplantes conseguiu reduzir o número de receptores em lista aguardando por um transplante de córnea, de 676 (dado de janeiro/2017) para 116 (dado de dezembro/2017).

Destes, apenas 6 eram ativos, ou seja, estavam aptos a realizar o transplante. Os demais encontravam-se na situação de semiativo: embora inscritos não estavam concorrendo ao tecido por algum motivo, entre os quais sem condições clínicas para o procedimento, exames pré transplantes incompletos, entre outros. Desde o mês de novembro de 2017 a Central de Transplantes passou a ofertar córneas para outros Estados, devido a este quadro.

Sensibilização dos familiares para doação

Apesar de estar abaixo da expectativa estabelecida pelo Sistema Nacional de Transplantes (16 doadores por milhão de população – pmp), a taxa de doação pmp em Goiás atingiu seu maior valor no ano de 2017, chegando a 10,7. Este resultado, porém, é insatisfatório se considerarmos o crescimento do número de potenciais doadores no mesmo período, de 341 para 373.

No ano de 2017, as negativas familiares ultrapassaram os 61% de todas as entrevistas realizadas. Desejar o corpo íntegro, não ser doador em vida e recusar doar pela demora no processo desde o diagnóstico da morte encefálica até a captação dos órgãos ainda são as decisões mais recorrentes.

O não conhecimento da vontade do ente falecido também é motivo para negativa. Ninguém está errado. As decisões são tomadas em família e são respeitadas. Por isso é importante e necessária a discussão desse assunto no meio familiar.

Diuturnamente, nos 365 dias do ano, a equipe da Central de Transplantes está à disposição para compartilhar experiências, esclarecer incertezas e desfazer descrenças no processo.

O gerente Fernando Augusto Ataíde Castro destaca a importância de melhorar a conscientização sobre todo o processo de doação e transplante, desmistificando ideias e boatos e, principalmente, mantendo a educação continuada dos profissionais da saúde.

Por fim, cabe ressaltar que a Central de Transplantes somente aborda a família depois de constatada a morte de seu ente pela equipe do hospital. Todo o contato é feito ainda na unidade de saúde, no momento da comunicação do óbito pelo médico assistente.

O protocolo para diagnóstico de Morte Encefálica é regido por legislação do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina, e é, juntamente a outros exames, o validador das ações para doação e transplantes.

Fonte: Goiás Agora