21/dez/2017 16h12

Mais de 100 países votam contra os EUA na ONU

128 países desafiam Trump e votam a favor de resolução da ONU sobre Jerusalém.

polêmica - 21/dez/2017 16h12

A Assembleia Geral da ONU adotou nesta quinta-feira (21/12), por uma ampla maioria, uma resolução condenando o reconhecimento por Washington de Jerusalém como a capital de Israel. A resolução foi aprovada por 128 países, que desafiaram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e apoiaram a resolução que pede que os EUA voltem atrás de sua decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Trump ameaçou cortar a ajuda financeira aos países que votassem a favor da resolução, e seu alerta parece ter tido algum impacto sobre nove países que votaram contra e 35 que se abstiveram. Entre os que apoiaram os EUA estão Israel, Guatemala, Honduras, Palau, Nauru, Togo, Ilhas Marshall e Micronésia. O Brasil votou com os 128 que rejeitaram a decisão dos EUA.

As pressões americanas, no entanto, se traduziram em um número maior de abstenções do que o habitual nesse tipo de resolução. Entre os que se abstiveram estão Canadá, México, Colômbia, Panamá, Paraguai, Argentina, Antigua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Benin, Butão, Bósnia, Camarões, Croácia, República Checa, República Dominicana, Guiné Equatorial, Fiji, Haiti, Hungria, Jamaica, Kiribati, Lesoto, Malaui, Filipinas, Polônia, Romênia, Ruanda, Ilhas Salomão, Sudão do Sul, Trinidad e Tobago, Tuvalu, Uganda, Letônia e Vanuatu.

Na última segunda-feira, os EUA vetaram um texto similar no Conselho de Segurança, mas nenhum país dispõe deste privilégio na Assembleia, cujas resoluções carecem de caráter vinculativo como acontece no Conselho. O texto desta quinta, que foi apresentado pela Turquia e pelo Iêmen, é praticamente igual àquele apresentado pelo Egito e rejeitado pela embaixadora norte-americana, Nikki Haley, durante votação no Conselho de Segurança.

O documento pede que todos os Estados respeitem as precedentes resoluções do Conselho de Segurança, 10 ao todo desde 1967, segundo as quais o “status final de Jerusalém” deve ser decidido apenas no âmbito das negociações diretas entre israelenses e palestinos. O texto afirma que qualquer outra decisão sobre o tema deve ser considerada “não válida”. Todas as decisões que “pretendam modificar o caráter, o status ou a composição demográfica da Cidade Santa de Jerusalém não tem efeito jurídico algum, são nulos e sem valor, e devem ser revogados”.

Além disso, sem mencionar diretamente os EUA, a resolução pede que todos os países não estabeleçam missões diplomáticas na cidade.

Os palestinos comemoraram o resultado da votação nesta quinta-feira na ONU condenando o reconhecimento pelos Estados Unidos de Jerusalém como a capital de Israel. “Esta decisão reafirma que a justa causa dos palestinos tem o apoio internacional (…) Vamos prosseguir com os nossos esforços na ONU e em outros fóruns internacionais para acabar com a ocupação (israelense) e criar um Estado palestino tendo Jerusalém Oriental como capital”, afirmou o porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas.

O anúncio do magnata, ocorrido em 6 de dezembro, causou críticas de aliados históricos dos norte-americanos e aumentou para níveis extremos a tensão no Oriente Médio. (Com agências internacionais)

Fonte: Istoé