19/dez/2017 09h12

Marcelo Odebrecht troca cela no Paraná por casa de luxo em SP

Dois anos e meio depois, o executivo volta ao lugar onde foi preso para, agora, cumprir pena com o uso de tornozeleira eletrônica.
Da cela ao luxo - 19/dez/2017 09h12

Um dos mais conhecidos réus da Lava Jato, Marcelo Odebrecht deixa a prisão nesta terça (19/12) para voltar à sua casa no Morumbi, bairro nobre na zona oeste de São Paulo.

Da cela ao luxo, o empresário terá uma espécie de fortaleza que lhe promete garantia de privacidade e distância de curiosos, críticos e até mesmo dos próprios vizinhos.

Dois anos e meio depois –ou precisamente 914 dias– o executivo voltará ao lugar onde foi preso pela PF (Polícia Federal) para, agora, cumprir pena em regime domiciliar fechado, com o uso de tornozeleira eletrônica.

Pelo acordo firmado com o Ministério Público Federal, o empreiteiro só poderá sair de casa duas vezes nos próximos dois anos e meio, mas terá condições bem diferentes das encontradas na carceragem da PF e no CMP (Complexo Médico Penal), em Pinhais, na Grande Curitiba, onde esteve enclausurado nos últimos anos.

Em um condomínio residencial de alto padrão, Marcelo voltará a viver com conforto. Deve encontrar também calmaria, respaldado por forte esquema de segurança.

Dos moradores que, em sua maioria, não querem holofotes para a volta do herdeiro da Odebrecht, o empreiteiro deve contar com discrição. A aproximação de jornalistas antes mesmo da soltura do empresário irritava parte dos moradores e funcionários.

Logo ao chegar no local, a reportagem ouviu gritos de alerta de seguranças que tentavam proibir fotografias do condomínio, mesmo do lado de fora. Em ação semelhante, moradores buzinavam e ordenavam a saída da equipe da Folha.

A organização interna do condomínio, no entanto, pouco mudou para a recepção de Marcelo. Seguranças afirmaram que não receberam orientação sobre o assunto e que não mudaram a maneira de trabalhar. Moradores informaram que o condomínio não emitiu qualquer comunicado e que souberam da volta do empresário pela imprensa.

Houve, afirmaram, ligeiro aumento no números de seguranças na portaria. Nos últimos dias, a volta do empresário passou a ser comentada entre moradores e vizinhos, mas sem alarde. Alguns se declararam indiferentes com o retorno de Odebrecht.

Uma moradora que não quis ser identificada afirmou, em tom irônico, que não iria preparar nenhuma recepção. Mesmo antes de ser preso, Odebrecht era tido como fechado e discreto e não costumava interagir com os vizinhos, segundo moradores.

Desta vez, o contato de Marcelo com vizinhos, se ocorrer, também deverá ser raro. Isso porque o condomínio não tem piscina nem academia em uma área comum. As áreas de lazer são privativas em cada uma das cerca das 40 casas.

Corretores consultados pela reportagem disseram que uma casa no condomínio pode variar de R$ 11 milhões a R$ 50 milhões, dependendo do tamanho e infraestrutura.

A casa de Odebrecht, segundo relatos, é uma das maiores do local.

Piscinas, churrasqueira, adega, academia, salão de jogos, sauna e até cinema privativos são alguns dos atrativos de casas do condomínio.

O preço do condomínio varia e a cada mil metros quadrados são cobrados aproximadamente R$ 2.300 ao mês. Um muro de pedra isola a área do condomínio, escondendo boa parte de sua estrutura.

Raramente se vê moradores entrando ou saindo do local a pé. Carros luxuosos são identificados por seguranças para terem acesso ao local.

Grande parte das pessoas que passava pelo local nesta segunda (18/12) não imaginava que o condomínio estava prestes a receber o herdeiro da Odebrecht.

Fonte: Folha de São Paulo