22/out/2017 14h10

Tinder armazena informações de usuários em base de dados

Aplicativo consegue ver tudo o que você curte no Facebook, por exemplo.

tinder - 22/out/2017 14h10

O aplicativo de encontros Tinder torna fácil se conectar e conversar com várias pessoas ao mesmo tempo – e torna igualmente fácil para o usuário se esquecer de todas elas. Matéria divulgada pela BBC Brasil.

Mas o Tinder não esquece. Pelo contrário: armazena tudo em sua base de dados.

A jornalista Judith Duportail, uma das 50 milhões de pessoas que usam a plataforma americana, se perguntou o quanto o Tinder sabia sobre ela.

“Faz vários anos que uso o app e me dei conta que a cada interação eles sabem um pouco mais sobre mim”, diz a francesa à BBC.

Judith então pediu ao Tinder que lhe enviasse tudo o que sabia sobre ela.

800 páginas de informação pessoal

Com ajuda do ativista Paul-Olivier Dhaye e do advogado Ravi Naik, ela enviou um e-mail aos responsáveis pelo aplicativo para que eles lhe dessem acesso aos seus dados pessoais armazenados.

Dehaye explicou que o processo foi exaustivo, com dezenas de trocas de e-mails e meses de espera.

São informações que, de acordo com a lei de proteção de dados da União Europeia, todos os cidadãos têm o direito de saber. É preciso enviar um e-mail para [email protected] com o assunto Subject Access Request (pedido de acesso).

A empresa diz que revisa todos os pedidos mesmo assim. “Respondemos de forma apropriada e dentro do tempo hábil necessário, levando em consideração a aplicabilidade das leis e o padrão das práticas e políticas do setor”, afirma, em nota.

Judith, por sua vez, recebeu uma resposta maior do que esperava: um documento de 800 páginas.

Havia mais de 1.700 mensagens enviadas e recebidas, seus likes no Facebook, as fotos do Instagram (incluindo as postadas depois de Judith ter desvinculado as duas contas), dados de GPS e a frequência e os horários em que usava o aplicativo, entre outros dados pessoais.

Oliver Keyes, especialista em dados na Universidade de Washington, disse a ela que todos os apps que usamos regularmente no celular mantêm o mesmo tipo de informação.

“Ler todos os meus dados pessoais me fez perceber algumas coisas sobre mim mesma. A maneira como eu me comportava era pior do que eu pensava. Eu ignorava pessoas, copiava as mesmas mensagens para várias delas”, diz.

A jornalista afirma, porém, que ter consciência da magnitude de dados que o Tinder guarda não a fez desistir de usar o aplicativo, onde conheceu “pessoas maravilhosas”.

“Mas a partir de agora tomarei medidas de segurança”, afirma.

Em seu site, o Tinder explica que é possível configurar seu perfil para ter menos ou mais informações sobre você. O aplicativo também pode usar seus dados para fins publicitários.

Marco Civil

No Brasil, no entanto, o Marco Civil da Internet não regulamenta em detalhes os direitos e deveres de empresas e usuários quanto aos dados privados e não prevê a possibilidade dos usuários visualizarem as informações que as empresas armazenam sobre eles.

O projeto de lei que regulamenta a utilização de dados privados, o PL 5276/2016, aguarda votação na Câmara dos Deputados. O Tinder, portanto, não é obrigado a fornecer os dados que armazena dos usuários brasileiros.

Fonte: BBC Brasil