09/out/2017 09h10

MP recorre de decisão que negou torcida única em partida entre Vila Nova e Goiás

Para o promotor, a decisão em ter as duas torcidas no estádio coloca em risco os torcedores e a população como um todo.

clássico - 09/out/2017 09h10

O Ministério Público de Goiás, por meio do coordenador do Grupo de Atuação em Grandes Eventos do Futebol (GFUT), Sandro Halfeld, recorreu, na última sexta-feira (6/10) ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) da decisão de primeiro grau que negou o pedido para que o clássico entre Vila Nova e Goiás, marcado para o dia 14, no Estádio Serra Dourada, fosse realizado com torcida única.

Para o promotor, a decisão coloca em risco os torcedores e população como um todo. No recurso, ele pontua que, visando uma solução eficiente para os históricos casos de violência entre as torcidas da equipe, o MP ofereceu ação civil pública requerendo, por meio de tutela provisória de urgência, que todas as partidas entre as duas equipes no Estádio Serra Dourada fossem realizadas com a presença de uma única torcida até que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Goiana de Futebol (FGF), organizadoras dos eventos, adotassem medidas eficientes de segurança, tais como a implantação de catraca biométrica para identificação dos torcedores e a disponibilização de local específico, isolado e controlado para alocação das torcidas organizadas.

O pedido, porém, foi negado. Na decisão, o juiz ponderou que os times estavam passando por situação crítica, e que a melhor solução seria a redução do número de torcedores. Dessa forma, determinou o número máximo de 16 mil pessoas na arquibancada, sendo 8 mil para cada equipe, que, segundo ele, seria aproximadamente a metade do público da partida anterior.

Entretanto, o promotor argumenta que a decisão está equivocada, já que, no último clássico, estiveram presentes 12.738 torcedores, número inferior ao determinado na decisão. É destacado ainda que, mesmo com público menor, a partida contou com episódios violentos de confronto entre as torcidas, fazendo com que o limite de capacidade dado pelo juiz não configure medida de segurança adequada.

Sandro Halfeld destaca ainda que, em audiência de conciliação realizada no último mês, envolvendo as partes responsáveis pela realização das partidas do Campeonato Goiano de 2018, sendo elas a CBF, a FGF, o Goiás Esporte Clube, Vila Nova Futebol Clube, Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) e o Estado de Goiás, o posicionamento foi unânime no sentido de que os eventos sejam realizados com torcida única.

Ele ressalta também que um dos clubes envolvidos, o Vila Nova Futebol Clube, se manifestou favorável ao posicionamento do Ministério Público, já que, em caso de incidente, seria penalizado.

Além disso, o promotor afirma que, por mais que a preocupação do magistrado quanto à situação dos clubes seja pertinente, a probabilidade da existência de tumulto, violência, e até mesmo morte é muito grande, sendo a segurança o fator mais importante na questão.

Pedido

Diante do risco oferecido caso a partida seja realizada de acordo com a determinação judicial, o MP-GO recorreu da decisão. Por meio de antecipação de tutela recursal, o promotor pede que o clássico seja realizado com a presença de torcida única, ou em caso de melhor entendimento da Justiça, com portões fechados.

Fonte: MP-GO