29 de Março de 2017

Eu não queria saber, até que precisei descobrir

Para boa parte da sociedade brasileira a política é um daqueles temas sobre os quais não devemos falar. Seja pela postura belicosa que pode surgir sob o manto das ideologias ou preferências partidárias, seja pela falta de compreensão efetiva em relação ao tema. O fato é que, para muitas pessoas, a política não é um assunto de interesse e, portanto, elas preferem nem saber.

A questão que coloco agora é simples: na sua opinião, o que possibilita a existência do grupo social do qual você participa, o que possibilita que sua comunidade, cidade e país não se transforme num caos ainda pior do que aquele em que você considera estar a viver?

Então, a política, numa perspectiva histórica, filosófica e conceitual, é o elemento possibilitador da coexistência pacífica dentro da coletividade. Ela atua como forma de mediação dos interesses conflitantes, de modo a evitar que todas as questões precisem ser resolvidas na base da força.

A política que te disseram ser “coisa do capeta”, “coisa de gente desonesta”, é uma representação negativa daquilo que efetivamente deveria ser. Existem várias teorias que estudam esta formação da imagem negativa da política, eu indico pesquisarem sobre “A representação social da política”, no google. Tem muita leitura interessante.

Bom, então qual a relação deste texto com o seu título? Simples, para quem prefere repetir que “não quer saber de política”, preciso avisar que mais cedo ou mais tarde esta possibilidade desaparecerá. Seja porque você precisará compreender o motivo pelo qual só poderá se aposentar quando já estiver muito velho e cansado para gozar de alguns anos com uma remuneração que não te obrigue a trabalhar por ela – ainda que o dinheiro que receberá nada mais seja do que a devolução do fruto do seu esforço que foi apropriado pelo governo ao longo de sua vida -, seja porque não entende o motivo de pagar altos impostos e também precisar pagar novamente por educação, saúde e segurança às empresas privadas.

Invariavelmente mais cedo ou mais tarde você se verá em uma situação onde precisará acessar os serviços oferecidos pelo Estado e, do jeito que as coisas vão, perceberá que eles são péssimos ou inexistentes. Neste momento poderá questionar para onde foi todo o dinheiro que você, sua família, seus amigos, vizinhos e o resto da população pagou sob a forma de impostos dia após dia, mês após mês. Te garanto que qualquer resposta que te derem estará ligada a um grupo de indivíduos que ocupa um lugar na sociedade de onde ficam a decidir sobre tudo e todos, e que estes indivíduos, dos quais podes nem saber os nomes, lá estão por conta da forma como você realiza sua participação política. Seja pelo voto que lhes confiou, seja por sua omissão – aquele “não querer saber”.

Aqui nesta coluna semanalmente falarei sobre os fatos que impactam no seu bolso, na sua qualidade de vida e no seu futuro, falarei sobre POLÍTICA. Semanalmente trarei assuntos que deixarão bastante claro o porquê devemos nos manter sempre informados, críticos e atuantes sobre as questões políticas.

Marcos Marinho