27/mar/2017 14h03

Pesquisa da UFG analisa impactos da Reforma da Previdência

Segundo os pesquisadores, a equiparação do trabalho urbano e rural inviabiliza a aposentadoria de milhares de trabalhadores agrários.

Economia - 27/mar/2017 14h03

A Universidade Federal de Goiás (UFG) realizou pesquisa para traçar possíveis consequências na área rural, caso a Reforma da Previdência seja aprovada. A pesquisa tomou como base os dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

O estudo concluiu que mudanças nas regras da previdência, e assistência social, vão limitar ao homem do campo, o acesso a esses recursos. A pesquisa indica que poderá haver consequências negativas na produção agrícola das pequenas propriedades rurais e reduzindo o fluxo de renda em centenas de municípios brasileiros. Com isso, segundo a pesquisa, a economia dessas cidades estará ameaçada.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores relacionaram os valores recebidos por esses beneficiados, ou seja, idosos de baixa renda, deficientes e aposentados rurais, com toda a riqueza gerada em diversas cidades. O grupo percebeu então que, em centenas de delas, só a aposentadoria rural representa mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) municipal. Ao se levar em consideração o valor dos benefícios de prestação continuada, a porcentagem sobe para 70%.

O responsável pelo estudo, professor Tadeu Arrais, explica a importância dos recursos da Previdência Social: “É isso que faz a economia desses municípios girar. Em algumas dessas cidades há mais beneficiários de aposentadoria do que trabalho formal”, afirma.

Assim, de acordo com o professor, quando a PEC propõe a equiparação do trabalho urbano e do rural, ela inviabiliza a aposentadoria de milhares de trabalhadores essenciais às economias municipais, comprometendo a produção agrícola familiar e o varejo municipal, além da qualidade de vida da população idosa.

“Elas são atividades de naturezas completamente diferentes. A expectativa de vida regional no Brasil é tão distinta quanto o mercado de trabalho. Entre os dois tipos de trabalhadores a diferença chega a oito anos. Isso sem falar na equiparação de gênero. Assim, não seria exagero dizer que nós vamos inverter a lógica inteira da previdência social e que os trabalhadores rurais vão sustentar a aposentadoria dos urbanos”, defende Tadeu Arrais.